Justiça argentina solicita extradição de Maduro aos Estados Unidos por crimes graves
A Justiça da Argentina formalizou, nesta quarta-feira (4), um pedido de extradição do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro aos Estados Unidos. O objetivo é que ele responda por acusações de crimes contra a humanidade, conforme decisão judicial acessada pela agência de notícias AFP.
Detenção e base legal para o pedido
Maduro está detido em Nova York desde o dia 3 de janeiro, após ser capturado durante uma operação militar dos Estados Unidos em Caracas. Um juiz argentino emitiu o pedido internacional com base no princípio da jurisdição universal, que permite a investigação de crimes graves cometidos fora do território nacional.
Este não é o primeiro movimento da Argentina no caso. Em 2024, a Justiça do país já havia solicitado a captura internacional do então presidente venezuelano no mesmo processo, que teve início a partir de denúncias apresentadas por organizações de direitos humanos.
Acusações e investigação unificada
As ações judiciais, apresentadas em 2023, acusam o governo venezuelano de violações sistemáticas aos direitos humanos. Elas foram unificadas em uma única investigação, que aponta indícios de um plano de repressão em larga escala.
Segundo a decisão judicial, as alegações incluem:
- Desaparecimentos forçados
- Tortura
- Homicídios
- Perseguição a parte da população civil
Essas supostas violações teriam ocorrido desde 2014, configurando um padrão de conduta grave.
Ordens de prisão e contexto internacional
Além do pedido de extradição, a Justiça argentina expediu ordens de prisão para interrogar Maduro e o ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabello. Este caso se soma a outras aplicações do princípio da jurisdição universal pela Argentina, como investigações envolvendo militares de Mianmar e o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega.
Operação de captura e situação política na Venezuela
A captura de Maduro por forças americanas foi marcada por uma operação que incluiu bombardeios a Caracas e regiões próximas. Com sua detenção, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o poder de forma interina na Venezuela.
Nos Estados Unidos, o ex-mandatário também enfrenta acusações de tráfico de drogas e terrorismo, ampliando o escopo legal de suas responsabilidades.
Próximos passos no processo
A próxima audiência do caso está prevista para o dia 17 de março, em Nova York, onde se espera que os detalhes da extradição e das acusações sejam discutidos mais a fundo. A expectativa sobre o futuro político da Venezuela e o desfecho judicial de Maduro continua a dominar os debates em Caracas e no cenário internacional.



