O ex-governador de Minas Gerais e candidato do Novo à Presidência, Romeu Zema, alcançou um recorde de engajamento nas redes sociais após publicar um vídeo criticando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Na gravação, Zema classifica como “imperdoável” o diálogo de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro sobre patrocínios para um filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. O conteúdo ultrapassou 4 milhões de visualizações, número dez vezes superior à média de suas postagens anteriores.
Repercussão imediata
A veemência da declaração de Zema gerou reações imediatas dentro do próprio Novo, de políticos de oposição e do senador Flávio Bolsonaro. “Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável, é um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa. É preciso ter credibilidade para mudar o Brasil”, afirmou Zema no vídeo.
Em resposta, Flávio Bolsonaro declarou: “Ele [Zema] é novo na política e precisa entender que tem a grande responsabilidade de ajudar os brasileiros a se livrarem do PT. Eu merecia, pelo menos, o benefício da dúvida após meus esclarecimentos. Ele se equivocou em se antecipar e me pré-condenar, eu jamais faria isso com ele”.
Reações internas no Novo
O diretório do Novo no Paraná emitiu uma nota pública repudiando a iniciativa do ex-governador. “A divulgação do vídeo pela equipe de comunicação de Zema foi precipitada e gerou ruídos desnecessários em alianças já estabelecidas. Posicionamentos públicos dessa natureza devem observar alinhamento prévio com a convenção nacional do partido — o que não ocorreu neste caso”, informou o partido.
O Novo vinha consolidando alianças políticas com o apoio da família Bolsonaro em diversos estados. No Rio Grande do Sul, por exemplo, o partido planeja lançar o deputado federal Marcel Van Hattem ao Senado em parceria com o PL, que terá o deputado Luciano Zucco como candidato a governador.
Impacto nas alianças
Zema era cotado para ocupar o cargo de vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro, possibilidade que agora parece descartada. “É óbvio que, em função do que aconteceu, fica inviável ter uma chapa Flávio presidente e Zema vice”, afirmou o senador.
Nas redes sociais, as opiniões se dividiram. Enquanto parte dos internautas elogiou a postura do ex-governador, outros criticaram a precipitação e os possíveis danos à aliança entre Novo e PL. A crise expõe as tensões dentro do campo da oposição e levanta dúvidas sobre o futuro das negociações políticas.



