Operação Terra Forjada: PF desvenda esquema de fraude com dados falsos para apropriação de terras em Mato Grosso do Sul
A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (7), a Operação Terra Forjada em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, com o objetivo de investigar um possível esquema de fraude envolvendo a inserção de informações falsas em sistemas públicos federais. Segundo as investigações, os suspeitos teriam manipulado dados oficiais para simular a posse ou o domínio de áreas rurais, incluindo tanto terras públicas quanto propriedades privadas já regularizadas por seus verdadeiros donos.
Irregularidades ambientais e sobreposição de áreas
A apuração também identificou indícios de irregularidades ligadas à chamada reserva legal, que é a área que deve ser preservada dentro de propriedades rurais. De acordo com a Polícia Federal, informações inconsistentes teriam sido inseridas nos sistemas para dar uma falsa aparência de regularidade ambiental, comprometendo a integridade dos registros ecológicos.
Um dos envolvidos, conforme a investigação, teria incluído dados falsos em cadastros oficiais, utilizando até informações de outro imóvel de forma indevida. Com isso, o grupo teria tentado se apropriar de terras públicas e sobrepor áreas particulares, o que pode prejudicar significativamente os verdadeiros proprietários, gerando conflitos fundiários e prejuízos financeiros.
Histórico de investigações e medidas judiciais
Uma das empresas investigadas já havia sido alvo de outra ação da Polícia Federal, a Operação Terra Nullius, realizada em 2023. Na ocasião, também foram apuradas suspeitas de fraudes em registros de terras, com indícios de grilagem – prática ilegal de ocupar ou vender terras que não pertencem ao ocupante. Isso sugere um padrão de atividades criminosas no setor fundiário da região.
Na Operação Pantanal TerraNullius, os investigados são acusados de fraudes na emissão e comercialização de Cotas de Reserva Ambiental (CRA) e Títulos de Cota de Reserva Ambiental Estadual (TCRAE). Ao todo, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão em condomínios de alto padrão, em Campo Grande e um em Rio Brilhante. A justiça também determinou o sequestro de bens e bloqueio de valores que podem superar R$ 3 milhões, evidenciando a magnitude econômica do esquema.
Continuidade das investigações
A Polícia Federal segue com as investigações para identificar todos os envolvidos e dimensionar o tamanho do prejuízo causado. As autoridades estão analisando documentos e coletando evidências para fortalecer o caso, com foco em desmantelar redes criminosas que exploram vulnerabilidades nos sistemas públicos de registro de terras.
Esse tipo de fraude não só afeta a propriedade privada, mas também tem impactos ambientais graves, ao distorcer dados sobre reservas legais e facilitar a degradação de áreas protegidas. A operação reforça a necessidade de maior fiscalização e transparência nos processos fundiários no Brasil.



