Adestrador de São Carlos condenado por atos golpistas morre foragido na Argentina
Condenado por atos de 8 de janeiro morre foragido na Argentina

Adestrador condenado por atos de 8 de janeiro falece foragido na Argentina

José Eder Lisboa, adestrador de cães natural de São Carlos, no interior de São Paulo, que foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 14 anos e seis meses de prisão em regime fechado por sua participação nos atos golpistas ocorridos em Brasília no dia 8 de janeiro de 2023, faleceu na noite da última sexta-feira, 27 de setembro. A informação sobre o óbito foi divulgada publicamente pela Associação dos Familiares e Vítimas (ASFAV) do 08 de janeiro através de suas redes sociais.

De acordo com a publicação da associação, José Eder Lisboa encontrava-se foragido na Argentina, longe de sua família e do território brasileiro. Ele adoeceu gravemente e precisou ser internado por vários dias em um hospital no país vizinho, onde, infelizmente, não resistiu e veio a óbito. A advogada Carolina Siebra, que representava tanto a ASFAV quanto o próprio adestrador, confirmou oficialmente a morte ao g1 neste sábado, 28 de setembro.

Problemas de saúde e tentativa de recuperação

Carolina Siebra detalhou que José Eder Lisboa enfrentou um sério problema de saúde no final do ano passado, que foi diagnosticado e tratado como botulismo, uma doença neurológica grave causada pela toxina da bactéria Clostridium botulinum. A advogada informou que, apesar de estar em processo de recuperação, o estado do adestrador piorou e ele não conseguiu superar a enfermidade.

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Os familiares de Lisboa já manifestaram a intenção de repatriar o corpo, que atualmente está sendo velado na Argentina, para o Brasil. O g1 tentou contato com o Itamaraty para obter mais informações sobre o processo de repatriação, mas não recebeu nenhum retorno até o fechamento desta reportagem.

Condenação histórica pelo Supremo Tribunal Federal

O julgamento virtual de José Eder Lisboa teve início no dia 14 de junho e foi finalizado na noite de 21 de junho de 2024. Ele foi condenado pelos seguintes crimes, todos relacionados aos ataques de 8 de janeiro:

  • Abolição violenta do Estado Democrático de Direito
  • Golpe de Estado
  • Dano qualificado
  • Deterioração do Patrimônio tombado
  • Associação criminosa armada

Além da pena restritiva de liberdade, o adestrador também recebeu condenação a 1 ano e seis meses de detenção e ao pagamento de 100 dias-multa, totalizando R$ 43,4 mil. Adicionalmente, foi condenado a pagar uma indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 30 milhões, que deverá ser rateada entre todos os demais condenados pelo mesmo episódio.

Durante seu interrogatório, Lisboa alegou que entrou no Palácio do Planalto apenas para se proteger de bombas, negando ter arrombado qualquer coisa ou participado de atos de vandalismo. Ele se tornou réu oficialmente em maio de 2023 e teve sua prisão revogada em agosto do mesmo ano, permanecendo em liberdade, porém com diversas restrições impostas pela Justiça.

Outros condenados da região

José Eder Lisboa foi o último morador da região de São Carlos a ser condenado pelo STF em relação aos ataques de 8 de janeiro. Dois outros indivíduos da região, ambos da cidade de Leme, já haviam sido julgados e condenados anteriormente.

Edson Carlos Campanha, corretor de imóveis, foi condenado a 17 anos de prisão em regime fechado. Já Moisés dos Anjos, marceneiro, também recebeu pena de 17 anos de prisão. As condenações reforçam a resposta judicial aos eventos considerados um ataque sem precedentes à democracia brasileira.

Contexto dos ataques de 8 de janeiro

Os atos ocorridos em 8 de janeiro de 2023 representaram um episódio grave na história do Brasil, com invasões e vandalismos nos três poderes da República. Indivíduos radicalizados quebraram vidraças, destruíram móveis, vandalizaram obras de arte e objetos de valor histórico, invadiram gabinetes de autoridades, rasgaram documentos importantes e chegaram a roubar armas que estavam no Congresso Nacional, no STF e no Palácio do Planalto.

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Muitos dos envolvidos registraram suas próprias ações através de vídeos e fotos, que posteriormente foram compartilhados em redes sociais, facilitando a identificação e a prisão de 2.151 pessoas na época dos fatos. O caso continua a gerar desdobramentos judiciais e impactos significativos na política e na segurança nacional.