Eleitores de Santa Catarina manifestam desconfiança e rejeição à candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado
O Partido Liberal planeja iniciar em maio a campanha de Carlos Bolsonaro para uma vaga no Senado por Santa Catarina. O ex-vereador do Rio de Janeiro, que renunciou ao cargo em dezembro após 25 anos de atuação, migrou para o estado catarinense sob o patrocínio do governador Jorginho Melo, que busca a reeleição. No entanto, essa manobra política não tem sido bem recebida pelo eleitorado local.
Pesquisa aponta alto índice de rejeição e críticas ao oportunismo
Uma pesquisa realizada pela AtlasIntel na semana passada revela dados preocupantes para a campanha de Carlos Bolsonaro. Metade dos eleitores de Santa Catarina considera a candidatura um ato de oportunismo, enquanto 49% acreditam que ela é contrária aos interesses do estado. Apenas 20,6% dos entrevistados reconhecem como legítima a decisão de Jair Bolsonaro, inelegível e condenado à prisão, de enviar o filho para disputar o Senado em outro estado.
O apoio explícito à candidatura Bolsonaro está restrito a uma minoria de 25,6% do eleitorado. Embora esse número não seja desprezível para um candidato recém-chegado, ele perde força quando quase o dobro dos eleitores, 49%, afirma ter uma imagem negativa do postulante. Essa rejeição é significativamente maior do que a atribuída aos principais concorrentes, a deputada federal Carol De Toni, com 26%, e o senador Esperidião Amin, com 29%.
Divergências familiares ampliam as dificuldades da campanha
As complicações para Carlos Bolsonaro não se limitam ao eleitorado catarinense. Dentro da própria família, há divergências que impactam a disputa. Michelle Bolsonaro, esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro, optou por apoiar os principais adversários do enteado na corrida pelo Senado. Ela já manifestou suporte à deputada Carol De Toni e, mais recentemente, ao senador Esperidião Amin, ambos líderes nas pesquisas para as duas vagas disponíveis.
Essa decisão de Michelle Bolsonaro reflete as tensões internas e pode influenciar ainda mais a percepção pública sobre a candidatura de Carlos. A estratégia de transferência de votos da família Bolsonaro, que apostava no poder de influência de Jair Bolsonaro, parece enfrentar obstáculos tanto no cenário político quanto no pessoal.
Contexto político e desafios futuros
A migração de Carlos Bolsonaro para Santa Catarina foi imposta praticamente pelo governador Jorginho Melo ao Partido Liberal do estado. No entanto, essa imposição não foi acompanhada de uma aceitação popular, como demonstram os números da pesquisa. Os eleitores catarinenses demonstraram antipatia pela estratégia, classificando-a como questionável e pouco alinhada com suas necessidades locais.
Com a campanha oficial prestes a começar, Carlos Bolsonaro terá que superar uma rejeição elevada e a imagem de oportunismo para conquistar o eleitorado. A disputa pelo Senado em Santa Catarina promete ser acirrada, com os concorrentes já estabelecidos mantendo vantagem nas intenções de voto. O desfecho dessa eleição poderá indicar os limites da influência bolsonarista em novos territórios políticos.



