Governador em exercício do Rio exonera último aliado de Cláudio Castro e promove transparência
O governador em exercício do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do estado, realizou nesta segunda-feira (13) uma série de exonerações significativas no governo estadual. A medida mais emblemática foi a saída do secretário-chefe de Gabinete, Rodrigo Abel, marcando o fim da presença do grupo mais próximo do ex-governador Cláudio Castro no Palácio Guanabara.
Fim de uma era no governo estadual
A exoneração de Rodrigo Abel foi publicada em edição extraordinária do Diário Oficial e registrada como "a pedido". Na prática, ela encerra a influência do núcleo que concentrava as principais decisões no governo desde 2020, quando Cláudio Castro assumiu o comando do estado. Abel era considerado um dos principais articuladores do governo e atuava ao lado de nomes como Nicola Miccione e Rodrigo Bacellar.
Esse grupo já vinha sendo desmontado ao longo dos últimos meses, após o rompimento político entre Castro e Bacellar. Nicola Miccione deixou o governo no fim de março, no mesmo dia da renúncia do então governador. Com a saída de Abel, o grupo perde seu último representante no centro do poder estadual, consolidando uma mudança significativa na administração.
Outras mudanças estratégicas no governo
Também nesta segunda-feira, Ricardo Couto exonerou o então presidente interino do Rioprevidência, Nicholas Cardoso. A decisão ocorre após o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro pedir o afastamento do gestor em meio a uma investigação sobre aportes de R$ 118 milhões feitos pelo fundo em instituições financeiras não cadastradas.
Para o lugar de Cardoso, foi nomeado o procurador do estado Felipe Derbli de Carvalho Batista. O Rioprevidência é responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil servidores e dependentes no estado. As aplicações investigadas foram realizadas no fim do ano passado, quando Cardoso ocupava o cargo de diretor de investimentos do fundo.
Segundo órgãos de controle, o credenciamento prévio das instituições financeiras é uma exigência fundamental para evitar riscos como fraudes e prejuízos aos cofres públicos, destacando a importância da medida.
Demissão na Cedae e choque de transparência
Ricardo Couto também exonerou o presidente da Cedae, Agnaldo Balon, nesta segunda-feira. A decisão amplia a retirada de aliados do ex-governador Cláudio Castro de cargos estratégicos, reforçando a nova direção do governo.
A medida foi anunciada no mesmo dia em que Couto determinou um "choque de transparência" na administração estadual. Ele exigiu que secretarias e autarquias informem, em até 15 dias, todos os contratos em vigor, valores, prazos e quadro de servidores. Essa iniciativa deve permitir uma revisão detalhada das despesas públicas, promovendo maior fiscalização e eficiência.
Essas ações representam um esforço do governo em exercício para renovar a gestão e aumentar a transparência, em um momento de transição política no estado do Rio de Janeiro.



