O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), evitou afirmar que houve erro de cálculo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao ignorar os alertas de aliados sobre o risco de derrota de Jorge Messias na votação do Senado. Um dia antes da análise, Lula foi informado de que Messias enfrentava um cenário adverso e ouviu sugestões para adiar a votação, mas optou por manter o calendário.
Derrota no Senado
Na votação ocorrida ontem, o Senado rejeitou a indicação de Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), impondo uma das maiores derrotas ao governo petista. O titular da Advocacia-Geral da União (AGU) obteve apenas 34 votos favoráveis, aquém dos 41 necessários, e teve 42 votos contrários, consolidando um revés significativo.
Alerta ignorado
De acordo com fontes, o ex-ministro Camilo Santana teria alertado Lula sobre o cenário desfavorável um dia antes da votação e sugeriu que o presidente trabalhasse para adiar a análise. No entanto, Lula não acatou a recomendação, o que gerou questionamentos sobre sua estratégia política.
Defesa de Randolfe
Em declaração à imprensa, Randolfe evitou classificar o episódio como um erro de Lula. “Lula é um presidente que não renuncia à atribuição que tem. A escolha de ministro do STF é uma prerrogativa do presidente, e ele fez uso dessa atribuição. Passou o tempo de presidente que não governava. O anterior, de fato, não governava. Não é o caso de Lula”, afirmou. O senador destacou que a sabatina já havia sofrido um adiamento e que o Senado cumpriu seu papel ao rejeitar a indicação.
Randolfe também ressaltou que o governo respeita a decisão do Legislativo e que seguirá trabalhando em outras pautas. A derrota de Messias é vista como um sinal de desgaste político e de dificuldades de articulação do governo no Congresso.



