Polarização eleitoral ameaça legitimidade das eleições presidenciais de 2026
Polarização ameaça legitimidade das eleições presidenciais de 2026

Polarização inconveniente ameaça processo eleitoral brasileiro

Um olhar sobre a eleição presidencial de 2026, distante pouco mais de sete meses, revela inconveniências capazes de dificultar ou comprometer o pleito. A polarização extrema, empurrada para o centro do processo, emerge como um dos principais desafios com efeitos tanto para o futuro imediato quanto para o distante.

Eleitorado condenado ao voto por rejeição

O que se observa, com grande antecedência, é o eleitor sendo conduzido às urnas com a humilde missão de apenas ser contra ou a favor. Muitos apoiarão um dos dois candidatos principais não por desejá-lo genuinamente, mas porque odeiam intensamente o outro. Nada mais que isso.

Os sentimentos extremos vão ocupando os espaços que, em um pleito normal e desejável, seriam dedicados a projetos, ideias e debates construtivos. Essa dinâmica é particularmente preocupante em um país que se mostra carente de rumos claros e sem bandeiras unificadoras.

Abstenção recordista e ilegitimidade em potencial

Além dos temores da radicalização, outro fator preocupa setores responsáveis da Justiça Eleitoral. Enquanto a polarização agrada militantes mais radicais, há o enorme risco de afastar a parcela do eleitorado que prefere não se envolver, engrossando as fileiras dos que se abstêm.

A abstenção é um problema crescente. Nas últimas eleições presidenciais, a ausência em massa deixou longe das urnas nada menos que 32 milhões de brasileiros aptos ao voto, representando 20,9% do eleitorado total. As previsões se tornam ainda mais pessimistas quando se considera que há cinco milhões de títulos cancelados, pertencentes a eleitores desinteressados que preferiram pagar multas do TSE a participar do processo.

Sinais de um pleito refém da polarização

Os sinais de um outubro eleitoral refém de apenas dois candidatos factíveis são particularmente graves porque confirmam a ausência de reflexões mais profundas e patrióticas sobre os destinos do Brasil. Questões fundamentais para a sociedade brasileira submergem, descuidadas, diante da polarização extrema.

Chega-se ao ponto em que esse cenário prenuncia dificuldades até mesmo para o eventual vencedor. Com imenso abstencionismo, qualquer candidato eleito enfrentará a dificuldade política da ilegitimidade e bases de apoio vulneráveis. Uma eleição não legitimada pela presença maciça do eleitorado está condenada a enfrentar obstáculos significativos em sua implementação.

O papel do STF e a advertência de Fachin

O ministro Édson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal, demonstra preocupação com a contaminação do processo democrático. Homem de muitas leituras, como evidenciado em seus discursos e votos no Pleno, Fachin parece compreender os riscos da contaminação do corpo sadio pela doença de alguns de seus órgãos.

Para salvar o que resta do antigo prestígio da corte que comanda, o ministro precisa avançar com seu prometido elenco de regras de conduta a serem cumpridas por seus pares. O objetivo é obter severo acatamento dos princípios de moral e ética nas decisões e no comportamento diante da sociedade brasileira.

Dois ou três ministros, atualmente criticados pela opinião pública, representam uma minoria, mas, como adverte a sabedoria evangélica, têm potencial para denegrir todo o colegiado se não forem contidos. A busca por integridade institucional torna-se, assim, parte crucial do cenário eleitoral que se desenha para 2026.