PL, Bolsonaro e Castro apostam em Douglas Ruas para governar o Rio em 2026
PL e Bolsonaro apostam em Douglas Ruas para governar o Rio

Rio de Janeiro se torna palco decisivo para as eleições de 2026

O estado do Rio de Janeiro, com seu terceiro maior colégio eleitoral do país, naturalmente ocupa uma posição central em qualquer disputa presidencial. Para 2026, porém, o protagonismo é inédito, determinado pelo complexo jogo de alianças regionais que podem ser decisivas no caminho até o Palácio do Planalto.

A aposta da oposição em um nome novo

Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conta com o apoio sólido do prefeito Eduardo Paes (PSD), seu principal aliado com chances reais de vitória no Sudeste, a oposição busca uma resposta à altura. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrenta o desafio de apresentar um candidato ao Palácio Guanabara que garanta um palanque forte e ajude a conquistar a maioria dos votos no berço político de sua família.

Depois de intensas negociações nos bastidores, a direita fluminense acredita ter encontrado o nome ideal: Douglas Ruas, deputado estadual de primeiro mandato e atual secretário estadual de Cidades. A decisão foi consolidada em uma reunião da cúpula do Partido Liberal em Brasília, onde se discutiu a melhor estratégia para a peculiar situação política carioca.

Uma jogada de mestre: a interinidade

A movimentação ganha contornos estratégicos com a iminente desincompatibilização do governador Cláudio Castro (PL), que deve deixar o cargo para concorrer a uma vaga no Senado. Com a cadeira vazia e sem vice-governador – já que Thiago Pampolha foi para o Tribunal de Contas e o presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar, foi afastado pelo STF –, será necessária uma eleição indireta.

Flávio Bolsonaro expôs, a portas fechadas, para Cláudio Castro que a melhor articulação seria eleger Douglas Ruas como governador interino, concedendo-lhe a vantagem de ir às urnas já no exercício do cargo. Castro concordou, pavimentando um caminho muito mais organizado do que a fracassada tentativa improvisada com Alexandre Ramagem em 2024.

O perfil do candidato e sua base de apoio

Douglas Ruas, embora ainda relativamente desconhecido em âmbito estadual, carrega credenciais sólidas. Foi o segundo deputado mais votado no Rio, com mais de 175 mil votos, e, como secretário de Cidades, construiu um bom trânsito entre os prefeitos – já conversou com mais de setenta dos 92 chefes do Executivo municipal desde que anunciou a candidatura.

Seu principal cabo eleitoral é o pai, Capitão Nelson (PL), prefeito de São Gonçalo, o segundo maior município do estado. Aprendendo a fazer campanha ao lado do progenitor, Ruas focará sua estratégia na populosa região metropolitana, que concentra cerca de 5,5 milhões de habitantes.

A chapa conta ainda com Rogerio Lisboa (PP), ex-prefeito de Nova Iguaçu, como candidato a vice-governador, e Márcio Canella (União Brasil), atual prefeito de Belford Roxo, na segunda vaga de senador.

Os pilares da campanha: conservadorismo e segurança

O Partido Liberal já se mobiliza para explorar duas frentes principais na campanha de Douglas Ruas:

  • Perfil conservador e evangélico: O PL pretende contrastar Ruas com Eduardo Paes, pregando no prefeito o rótulo de "lulista", uma pecha que pode tirar votos no interior do estado, de maioria conservadora.
  • Segurança pública: O discurso se voltará fortemente para esta pauta, que se ajusta perfeitamente ao perfil de Ruas, um policial civil linha-dura. "Ele teve uma atuação importante na remoção de barricadas erguidas pelo tráfico", afirma o deputado estadual Rodrigo Amorim (União), referindo-se a um programa criado com apoio da polícia para remover obstáculos de controle territorial construídos pelo poder paralelo.

O adversário e o novo páreo

Eduardo Paes, que aparece com larga vantagem nas pesquisas, recentemente escolheu Jane Reis, irmã do bolsonarista Washington Reis (MDB), para ser sua vice. Casada com um pastor da Assembleia de Deus, caberá a ela tentar dar um verniz conservador ao político que subirá ao palanque junto com o PT. "Tenho diálogo com o público evangélico e com lideranças regionais", afirma Jane, habituada a operar nos bastidores das campanhas de sua família, que há tempos comanda Duque de Caxias, importante reduto da Baixada Fluminense.

Até o momento, Paes liderava uma corrida praticamente solitária. A entrada de Douglas Ruas na disputa define um novo páreo, que promete ser muito mais equilibrado e acirrado do que se imaginava inicialmente, colocando o Rio de Janeiro no epicentro do debate político nacional rumo a 2026.