PF suspeita que dono do Banco Master deu imóvel e viagens a senador Ciro Nogueira
PF: dono do Master deu imóvel e viagens a Ciro Nogueira

A Polícia Federal (PF) suspeita que o proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, tenha emprestado um imóvel e financiado viagens internacionais para o senador Ciro Nogueira (PP-PI). O parlamentar, que foi ministro da Casa Civil durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), é alvo de busca e apreensão na 5ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (7).

As investigações que fundamentaram essa nova etapa da operação listam diversos benefícios concedidos pelo ex-banqueiro ao senador. Entre eles, estão viagens de jatinho para destinos internacionais, além do pagamento de hospedagens e despesas em restaurantes. Em um dos diálogos mencionados nas apurações, um intermediador de Vorcaro pergunta ao ex-banqueiro: "Só uma pergunta rápida... eh pros meninos continuarem pagando conta dos restaurantes do Ciro/Flávia até sábado?". Vorcaro responde: "Sim. Depois leva meu cartão para St. Barths [ilha do Caribe]".

O advogado de Ciro Nogueira, Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, afirmou em nota que a defesa "repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar".

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Na decisão que autorizou a operação, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), destacou que os elementos apurados até o momento indicam "o estabelecimento de um arranjo funcional e instrumentalmente orientado para obtenção de benefícios mútuos, extrapolando relações de mera amizade, entre o senador Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro".

São citados como elementos desse vínculo a aquisição de uma participação societária no valor de R$ 13 milhões, repasses mensais de até R$ 500 mil a Ciro e a disponibilização gratuita, por tempo indeterminado, de um imóvel de alto padrão. Também são mencionados os pagamentos de despesas pessoais. Outro custo bancado por Vorcaro e mencionado na decisão são hospedagens no hotel Park Hyatt New York, além da disponibilização de um cartão destinado à cobertura de gastos.

"Considerados em conjunto e em juízo de cognição sumária, próprio desta fase, tais elementos reforçam a necessidade de aprofundamento probatório e de cautelas a serem adotadas para que provas não sejam ocultadas e ajustes não sejam realizados entre os investigados", afirmou Mendonça em sua decisão.

Em nota na manhã desta quinta-feira, a PF declarou que a nova ação tem o objetivo de aprofundar investigações sobre um esquema suspeito de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o sistema financeiro. Ao todo, são cumpridos dez mandados de busca e apreensão, além da prisão de Felipe Vorcaro, primo do ex-banqueiro, apontado como integrante do "núcleo financeiro-operacional" da suposta organização criminosa investigada no caso Master.

A defesa de Felipe Vorcaro refuta veementemente a afirmação de que ele seria operador-financeiro do Master ou de qualquer pessoa relacionada à instituição. Acrescenta que fará os esclarecimentos necessários e que seu cliente está à disposição das autoridades para contribuir com as investigações.

A decisão do ministro autorizou o bloqueio de bens e contas no valor de R$ 18,8 milhões. A defesa de Ciro Nogueira afirmou que o senador está comprometido em contribuir com a Justiça "a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos". A defesa também declarou que "medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas".

Felipe Vorcaro, empresário da energia solar e dono de imóveis de luxo, foi preso no âmbito do caso Master. Investigado como operador financeiro do esquema do Banco Master, ele foi detido nesta nova fase da operação. A PF aponta sua atuação em transações suspeitas, uso de estruturas societárias para ocultar recursos e ligação com repasses a agentes políticos.

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