Líderes da oposição articulam nos bastidores para deixar a escolha do novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) para depois das eleições. A estratégia visa evitar um desgaste político que consideram inevitável caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indique uma jurista negra para a vaga.
Constrangimento político
Nos corredores do Congresso, a avaliação é de que uma indicação de uma jurista negra, com reputação ilibada e notório saber jurídico, criaria um cenário delicado para a oposição. “Vamos ficar sem discurso se o Lula mandar o nome de uma jurista negra, de reputação ilibada e notório saber jurídico. Se rejeitarmos, vamos dar munição para ele na campanha eleitoral”, afirmou um líder da oposição em conversa reservada.
Estratégia de Alcolumbre
Segundo a mesma fonte, o melhor caminho seria o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, segurar a indicação e não marcar a sabatina. Dessa forma, o desgaste por engavetar a indicação ficaria com Alcolumbre, que não é candidato nas próximas eleições. A oposição, portanto, espera que Alcolumbre faça o serviço sujo para eles.
Em troca, a oposição sinalizaria apoio à reeleição de Alcolumbre à presidência do Senado no próximo ano, caso Flávio Bolsonaro (PL) vença a eleição presidencial. A manobra revela a complexa dança política em torno da sucessão no STF e os interesses em jogo.
Enquanto isso, o governo critica abertamente a articulação. O vice-líder do governo no Senado classificou a manobra como “golpe comandado por Alcolumbre”, em referência à derrubada do veto ao PL que tramita na Casa. A oposição, por sua vez, nega qualquer ação coordenada e afirma que apenas busca o melhor momento para a sabatina.
A indefinição sobre o novo ministro do STF deve se arrastar até depois do pleito, aumentando a pressão sobre os envolvidos e expondo as fragilidades do jogo político em ano eleitoral.



