A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a criticar abertamente o ex-governador Ciro Gomes (PSDB) na noite desta segunda-feira, 4, reavivando o racha na direita cearense. Em uma publicação nas redes sociais, ela compartilhou um vídeo no qual Ciro faz ataques e insinuações ao marido dela, o ex-presidente Jair Bolsonaro. “E ainda há pessoas da ‘direita’ apoiando esse indivíduo”, escreveu Michelle.
Conteúdo do vídeo
No vídeo, Ciro Gomes chama Bolsonaro de “jumento”, “burro”, “imbecil” e analisa suas ações públicas, incluindo a relação com as Forças Militares, a questão ambiental e posicionamentos homofóbicos. “Para entender o Bolsonaro, a gente tem que entender a psicologia de um homem quase doente. O Bolsonaro tem ódio ao estamento militar. Ele foi expulso do Exército, quebrou a hierarquia, falou contra seus superiores. Ele está estabelecendo uma espécie de vendita”, afirma Ciro. Ele também critica o que chama de “ódio anti-intelectual” de Bolsonaro, dizendo que “ele é curto, a capacidade de raciocínio dele é abstrata, ele é quase um burro, quase um jumento, um cara imbecil mesmo”. Ciro ainda menciona a questão ambiental e piadas homofóbicas, atribuindo-as a “um problema de armário”.
Aliança silenciosa
Apesar da posição contrária de Michelle, articuladores políticos evitam falar publicamente sobre a aliança entre o PL e Ciro Gomes, mas nos bastidores da política cearense, o acordo avança silenciosamente. O deputado federal Danilo Forte (PP-CE), ligado a Ciro, afirmou à VEJA que não vê outra possibilidade eleitoral viável para o PL no Ceará senão integrar a chapa do tucano, que lidera as intenções de voto contra o governador petista Elmano de Freitas.
Apoios e resistências
Mesmo nomes próximos a Michelle, como o senador Eduardo Girão (Novo-CE), reconhecem a inviabilidade de compor com o PL local, já que o acordo com Ciro está bem esquematizado. A aliança é defendida pelo deputado André Fernandes (PL-CE), líder do PL no estado, pelos filhos de Jair Bolsonaro (Flávio, Eduardo e Carlos) e, supostamente, pelo próprio ex-presidente, que está preso cumprindo condenação por tentativa de golpe de estado. O acerto prevê que Alcides Fernandes (PL-CE), pai de André, ocupe uma das duas vagas ao Senado na chapa de Ciro, ao lado do ex-deputado Capitão Wagner (União-CE).
Palanque antipetista
Aliados de Ciro Gomes afirmam que ele pretende abrir um grande palanque antipetista no estado, recebendo apoio de qualquer um que queira derrotar o PT e abrindo espaço para presidenciáveis de oposição a Lula. Há também especulações sobre uma aproximação da vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL-CE), a mais votada do Nordeste em 2024 e vice-presidente do PL Mulher, com Ciro. Ela já participou de eventos do União Brasil, partido aliado ao tucano no Ceará, onde Ciro esteve presente e discursou.



