Lula critica sistema político brasileiro e afirma que há 'promiscuidade generalizada' nos partidos
Lula diz que política brasileira 'apodreceu' e critica partidos

Presidente Lula faz crítica contundente ao sistema político brasileiro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizou uma crítica severa à política brasileira na noite de quinta-feira, 19 de março de 2026, durante evento em São Bernardo do Campo, São Paulo. Em discurso no lançamento da pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo paulista, Lula afirmou que a política nacional "apodreceu" e que existe "promiscuidade generalizada em todos os partidos".

Mudança depende de exemplos positivos

O mandatário defendeu que a transformação do cenário político brasileiro só será possível através de exemplos positivos. "Eu acho que a política apodreceu. Há uma promiscuidade generalizada na política, em todos os partidos. E nós precisamos voltar a fazer a política valer a pena. E a gente volta apenas com exemplos", declarou Lula para a plateia presente no sindicato dos metalúrgicos.

O presidente emendou que seu governo tem buscado dar bons exemplos, ao afirmar que foi responsável pela descoberta e investigação de escândalos de corrupção. "Quem descobriu toda a roubalheira da previdência foi o nosso governo, foi a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal", destacou Lula.

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Defesa sobre investigações e críticas à oposição

Lula mencionou que era favorável que o PT abrisse uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), mas que houve argumentação contrária dentro do partido. "Eu era favorável que o PT abrisse uma CPI, mas o pessoal argumentou que o partido que está no governo não pode abrir CPI, e eles [a oposição] abriram. Ao invés da gente estar indo para cima deles, eles estão vindo para cima da gente", afirmou o presidente.

O petista acrescentou uma reflexão sobre as consequências políticas: "Quando, na política, a gente vacila, a gente paga o preço depois". Esta declaração reforça a ideia de que erros no campo político têm repercussões significativas para os atores envolvidos.

Rechaço de culpa no caso Banco Master

Um dos pontos mais enfáticos do discurso foi a defesa de Lula sobre o caso Banco Master. O presidente direcionou a responsabilidade para o governo anterior, afirmando: "A outra coisa é o banco Master. Vira e mexe eles tentam empurrar nas costas do PT. Esse banco Master é obra, é o ovo da serpente, do [ex-presidente Jair] Bolsonaro e do [ex-presidente do Banco Central] Roberto Campos Neto".

Lula foi categórico ao afirmar: "Nós não deixaremos pedra sobre pedra, vamos apurar tudo. Se a gente não tomar cuidado, eles vão tentar dizer que somos nós [os culpados], que o governo sabia. Mas é uma obra deles. Este banco nasceu em 2019. Todas as falcatruas foram feitas por eles".

Contexto político e alertas internos

Apesar do tom eleitoreiro do discurso, as declarações de Lula vão ao encontro de alertas feitos recentemente pelo presidente do PT, Edinho Silva. O dirigente petista tem mencionado nas últimas semanas o risco de se instalar no país um "clima antissistema", que reclame da política e procure outras saídas.

Edinho Silva alertou recentemente: "As pessoas não acreditam no Judiciário, no sistema político, no Congresso. Quem perde é o status quo, e a representação máxima do status quo é o presidente". Esta observação reforça a preocupação com o crescimento de candidaturas outsiders ou vinculadas a pensamentos extremados, que poderiam capitalizar o descontentamento popular com as instituições tradicionais.

Evento em São Paulo e cenário político

O discurso ocorreu durante o lançamento da pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo do estado de São Paulo, realizado no sindicato dos metalúrgicos em São Bernardo do Campo. A localização é simbólica, pois representa uma região historicamente ligada ao movimento sindical e à trajetória política do próprio Lula.

O evento reuniu militantes petistas e simpatizantes, criando um ambiente propício para declarações fortes sobre o cenário político nacional. As críticas de Lula refletem tanto uma avaliação negativa do atual estado da política brasileira quanto uma tentativa de posicionamento estratégico do governo e do PT frente às eleições municipais que se aproximam.

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