Lula confirma Alckmin como vice para reeleição em 2026 e faz retrospectiva histórica
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou oficialmente que Geraldo Alckmin, do PSB, será novamente seu candidato a vice-presidente na chapa que buscará a reeleição em outubro de 2026. O anúncio ocorreu durante a reunião ministerial desta terça-feira, 31, no Palácio do Planalto, quando Lula mencionou a saída de Alckmin do comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.
"O companheiro Alckmin que vai ter que deixar o MDIC. Ele vai ter que deixar porque ele será candidato a vice-presidente da República outra vez", afirmou o presidente, consolidando a continuidade da parceria política que já havia sido estabelecida nas eleições de 2022.
Segunda vez que Lula repete candidato a vice-presidente
Com esta decisão, Lula e Alckmin repetem a aliança que, em 2022, ficou conhecida como "frente ampla", unindo setores da esquerda e do centro político. Esta é apenas a segunda vez na história das candidaturas de Lula que ele opta por manter o mesmo vice em uma nova disputa. A primeira ocorreu com José de Alencar, que ocupou a vice-presidência durante os dois primeiros mandatos de Lula, entre 2003 e 2010.
Antes de conseguir chegar à Presidência, Lula enfrentou tentativas frustradas em 1989, 1994 e 1998, períodos em que ainda buscava consolidar alianças políticas mais amplas, especialmente no campo da esquerda brasileira. Cada uma dessas campanhas contou com diferentes nomes na vice-presidência, refletindo as estratégias e contextos políticos de cada época.
Os vices de Lula ao longo de sua trajetória política
José Paulo Bisol (1989)
Advogado gaúcho e político experiente, Bisol foi o primeiro vice de Lula na histórica campanha de 1989, a primeira eleição presidencial direta após a ditadura militar. Com passagem pelo MDB e como um dos fundadores do PSDB, Bisol trouxe para a chapa seu perfil técnico e seu histórico de oposição ao regime militar, além de sua atuação na construção democrática do país. Faleceu em 26 de junho de 2021.
Aloizio Mercadante (1994)
Economista formado pela USP e atual presidente do BNDES, Mercadante foi escolhido como vice na segunda tentativa presidencial de Lula. Esta foi a única eleição em que o PT optou por um integrante do próprio partido para compor a chapa, em um contexto onde buscava oferecer respostas técnicas ao recém-implementado Plano Real do governo Fernando Henrique Cardoso.
Leonel Brizola (1998)
Fundador do PDT e herdeiro político de Getúlio Vargas e João Goulart, Brizola foi escolhido como vice em 1998 em uma estratégia clara de fortalecer a aliança de esquerda contra a reeleição de Fernando Henrique Cardoso. A parceria simbolizava a união entre o movimento trabalhista tradicional e o sindicalismo moderno representado por Lula.
José Alencar (2002 e 2006)
Empresário mineiro do setor têxtil e fundador do grupo Coteminas, Alencar foi vice de Lula nas campanhas vitoriosas de 2002 e 2006. Sua presença na chapa foi considerada estratégica para ampliar a base eleitoral no Sudeste e aproximar o PT de setores mais moderados da sociedade brasileira, viabilizando a primeira vitória presidencial de Lula.
Geraldo Alckmin (2022 e 2026)
Médico paulista de Pindamonhangaba e histórico político do PSDB, Alckmin deixou seu partido de origem em 2022 para se filiar ao PSB e compor a chapa com Lula. Sua experiência como governador de São Paulo em dois períodos e sua atuação como articulador nas áreas econômica e industrial tornaram-no uma peça fundamental na atual administração e na estratégia eleitoral para 2026.
Estratégias políticas por trás das escolhas
Cada escolha de vice-presidente na trajetória de Lula reflete momentos políticos específicos e estratégias eleitorais cuidadosamente planejadas:
- Em 1989, a prioridade foi consolidar credibilidade democrática pós-ditadura
- Em 1994, o foco estava em oferecer respostas técnicas ao Plano Real
- Em 1998, a estratégia foi unificar a esquerda contra o governo FHC
- Em 2002 e 2006, o objetivo era ampliar a base eleitoral com perfis moderados
- Em 2022 e 2026, a meta é construir uma "frente ampla" que una diferentes setores políticos
A confirmação de Alckmin para 2026 mantém esta lógica de ampliação de alianças, buscando consolidar um projeto político que transcende divisões partidárias tradicionais e se apresenta como alternativa de governabilidade para o país.



