Eduardo Leite reafirma pré-candidatura à Presidência e disputa com Caiado pela indicação do PSD
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), reafirmou nesta quinta-feira (26) sua disposição de liderar uma candidatura presidencial pelo Partido Social Democrático (PSD), posicionando-se como alternativa de centro para as eleições deste ano. A declaração ocorreu após reunião com o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, em meio à disputa interna com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, pela preferência do comando partidário.
Disputa interna pelo comando da candidatura
Em entrevista coletiva, Leite destacou que a conversa com Kassab o deixou "muito animado" com a perspectiva de poder ser o candidato do partido. "O jogo está em aberto", declarou o governador gaúcho, referindo-se à decisão que será tomada na próxima terça-feira (31) após consultas do presidente do PSD às lideranças partidárias.
A disputa entre Leite e Caiado ganhou força após a desistência do governador do Paraná, Ratinho Junior, que informou que irá concluir seu mandato à frente do governo paranaense. Ratinho era o pré-candidato do PSD com melhor desempenho nas pesquisas, aparecendo com 7% das intenções de voto na pesquisa Quaest de março, contra 4% de Caiado e 3% de Leite.
Projeto de centro e despolarização
Leite salientou que busca representar um caminho que seja "firme contra o crime, mas sensível com as pessoas que mais precisam". O governador defendeu um projeto que trabalhe para reduzir o custo da máquina pública "sem ofender ninguém, construindo com tolerância e respeito".
"Destaquei ao presidente Kassab, com todo o respeito que o governador Caiado merece, mas aquilo que ele procura representar já tem representante. Essa eleição precisa ter uma candidatura ao centro", afirmou Leite, posicionando-se como alternativa à polarização política.
Decisão estratégica e calendário
No dia anterior ao encontro com Kassab, Leite havia anunciado que só deixará o governo do Rio Grande do Sul para se candidatar ao Palácio do Planalto, descartando a possibilidade de uma candidatura ao Senado Federal. A decisão demonstra o comprometimento do governador com a disputa presidencial.
Após dialogar com ambos os pré-candidatos, Kassab deixou a palavra final para a próxima terça-feira. "Vamos nos próximos dias certamente ter muitas interações internas. O presidente Kassab vai conversar com lideranças para entender o sentimento do partido", explicou Leite sobre o processo decisório.
Reação à desistência de Ratinho Junior
Horas após o anúncio da desistência de Ratinho Junior, Leite divulgou um vídeo reiterando suas intenções eleitorais. "De minha parte, reafirmo aqui minha disposição de liderar este projeto de um centro democrático que ofereça aos brasileiros um novo caminho de união, esperança e futuro", declarou.
O governador gaúcho ainda fez declarações elogiosas a Ratinho, afirmando que respeita sua decisão. "Um dos melhores governadores do país, sabe melhor do que nenhum de nós as razões que o levam a esta decisão, e nos cabe apoiá-lo", escreveu em suas redes sociais.
Posicionamento do PSD
Após a desistência de Ratinho, Kassab divulgou nota reiterando que o PSD terá candidato a presidente. "O PSD se mantém firme em sua decisão de apresentar aos brasileiros uma candidatura a presidente da República, que com certeza será a 'melhor via'", afirmou o texto.
O presidente nacional do partido teceu elogios a ambos os pré-candidatos, destacando que "Eduardo Leite e Ronaldo Caiado são governadores muito bem avaliados, com inúmeras realizações ao longo de suas vidas públicas". A nota mantém o prazo estabelecido para a tomada de decisão, que deve ocorrer até o final do mês de março.
Manifesto e diferenciais
Há menos de 20 dias, Leite lançou um manifesto ao país oficializando sua pré-candidatura e reiterando em carta seu desejo de se candidatar à Presidência. Na ocasião, afirmou que "o Brasil tem um problema de direção".
O governador gaúcho tem se posicionado como candidato com "diferencial" para "liderar um projeto de despolarização", destacando que "não abraçou, nas eleições 2022, nem Lula (PT) nem Bolsonaro (PL)". Essa postura busca atrair eleitores cansados da polarização política que tem marcado o cenário nacional nos últimos anos.
Com a decisão do PSD prevista para os próximos dias, a disputa entre Leite e Caiado define quem representará a chamada 'terceira via' nas eleições presidenciais, em um momento crucial para a formação das alianças e estratégias eleitorais para outubro.



