O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, enfrenta um cenário cada vez mais complicado em sua tentativa de firmar um acordo de delação premiada. Em vez de facilitar sua situação, a proposta apresentada aos investigadores gerou desconfiança e provocou reações no Supremo Tribunal Federal (STF). O relator das investigações do caso Master, ministro André Mendonça, tomou uma decisão que sinaliza insatisfação com a condução das negociações.
Decisão de André Mendonça
André Mendonça mandou avisar José Luis Oliveira Lima, advogado responsável pela tentativa de delação de Daniel Vorcaro, que a partir de agora só se comunicará com ele nos autos do processo. Para um banqueiro que depende de um acordo de colaboração para reduzir suas penas, esse início de negociação é extremamente desfavorável. A decisão do ministro reflete a percepção de que Vorcaro pode estar fazendo jogo duplo, o que compromete a credibilidade de sua proposta.
Dois meses preso e conflitos familiares
Vorcaro completou dois meses de prisão nesta semana. Durante esse período, ele precisou gerenciar desentendimentos com a própria família sobre os rumos de sua delação. O pai do banqueiro questionou o trabalho dos advogados contratados, o que gerou tensão interna. No curso da elaboração dos anexos entregues aos investigadores da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR), a família chegou a buscar um famoso advogado em São Paulo para assumir os trabalhos. No entanto, o próprio Vorcaro decidiu manter a equipe atual de advogados que cuida do seu acordo.
Suspeitas de jogo duplo
Nesta semana, o jornal Estadão divulgou uma foto de uma conversa entre o advogado de Vorcaro e um ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo a publicação, os dois teriam discutido a delação. Embora o fato não desabone o trabalho do defensor do banqueiro — já que ele não precisaria estar em um hotel, em público, se quisesse tramar algo contra a investigação —, o episódio serviu como emblema para uma suspeita dos investigadores: a de que Vorcaro faz jogo duplo na prisão.
De um lado, o banqueiro afirma que quer colaborar e entregar todas as informações sobre as fraudes bilionárias cometidas no Banco Master. De outro, ele trama com antigos aliados para tentar fazer frente ao avanço dos investigadores sobre as provas. Essa postura ambígua tem gerado desconfiança no STF e pode comprometer ainda mais sua situação jurídica.



