Haddad oficializa pré-candidatura ao governo de SP e rebate críticas de Tarcísio
Haddad rebate Tarcísio ao oficializar pré-candidatura em SP

Haddad oficializa pré-candidatura ao governo de São Paulo e rebate críticas de Tarcísio

O ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi oficialmente anunciado como pré-candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) ao governo do estado de São Paulo para as eleições de 2026. Em entrevista coletiva realizada na sexta-feira (20), Haddad respondeu diretamente às críticas feitas pelo atual governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, reafirmando sua disposição de disputar a eleição com determinação e vigor.

Resposta às críticas de sacrifício

Durante o evento, Haddad rebateu as declarações de Tarcísio de Freitas, que afirmou aos aliados que o ex-ministro estava sendo "sacrificado pelo próprio partido" para concorrer em São Paulo e ajudar na campanha de reeleição do presidente Lula. O petista foi enfático ao negar essa visão, destacando sua longa trajetória política e compromisso com as causas que defende.

"Você não vai pegar uma frase minha falando em sacrifício. Isso não existe. Uma pessoa que fez a campanha de 2016, a campanha de 2018 e 2022. Você vai colocar em dúvida a disposição de luta dessa pessoa? É uma boa estratégia? Me parece muito incondizente com a minha disposição de lutar pelas ideias que tenho", afirmou Haddad.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Questionamento sobre as raízes de Tarcísio em São Paulo

O pré-candidato petista também aproveitou para questionar as conexões do governador Tarcísio de Freitas com o estado de São Paulo. Haddad lembrou que o adversário inicialmente planejava concorrer ao Senado por Goiás, seu estado de origem, antes de mudar seus planos para São Paulo.

"Quanto ao Tarcísio ter falado isso, eu me lembro o tempo que levou dele abandonar a ideia dele ser senador por Goiás. Que é de onde ele é, na verdade. Porque o Tarcísio não tem nenhuma familiaridade até hoje com São Paulo. Até hoje ele não tem. É só recuperar as notícias que vocês deram sobre a vinda dele pra cá", declarou Haddad.

Defesa de Simone Tebet e crítica à hipocrisia

Outro ponto abordado por Haddad foi a defesa da ministra Simone Tebet, pré-candidata ao Senado por São Paulo, que tem sido criticada por setores bolsonaristas por ser "forasteira". O petista comparou a situação de Tebet com a de Tarcísio, argumentando que a ministra tem mais raízes no estado.

"Outro dia vi a turma do Tarcísio falando: 'como é que vocês vão votar numa senadora forasteira aqui em SP?', falando sobre a Simone Tebet. A Tebet tem muito mais raízes em São Paulo, infinitamente mais [que o Tarcísio]. Duas filhas em SP, vindo há anos para São Paulo. Então, cada um vai escolher seu caminho", respondeu Haddad.

Busca por vice e alianças políticas

Durante a coletiva, Haddad anunciou que iniciará conversas com lideranças do PSB, Rede Sustentabilidade e PSOL em São Paulo para definir um nome para vice em sua chapa. O petista destacou que quer ampliar o leque de alianças e apresentar uma chapa diversa e representativa.

"Não fiz conversas, que pretendo realizar nos próximos dias com o Márcio França, o Caio França, o Ackmin, a Tabata, o Boulos, a Érika Hilton e a Marina. Muitas pessoas estão pré-agendadas comigo e eu pedi um pouquinho de paciência pra gente. Porque eu queria conversar com o presidente para entender onde eu vou ser mais útil", afirmou.

Haddad também explicou que evitou conversar com outras forças políticas antes de consolidar sua pré-candidatura com o presidente Lula, para não "colocar a carroça na frente dos bois". Ele ressaltou que o perfil ideal de vice será definido com base nas possibilidades concretas oferecidas pelos partidos que apoiarem sua candidatura.

Evento de lançamento e discurso nacional

O anúncio oficial da pré-candidatura de Haddad ocorreu na noite de quinta-feira (19) no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, com a presença do presidente Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do presidente nacional do PT, Edinho Silva. No evento, Haddad deu um tom nacional ao seu discurso, enfatizando a importância da reeleição de Lula e conectando sua campanha em São Paulo com o projeto nacional do governo federal.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

"É muito importante que a gente reapresente o presidente Lula para o Brasil e o mundo como a voz da ponderação, da sensatez, da igualdade, do combate à fome, do desmatamento. O Brasil precisa do presidente Lula, os trabalhadores precisam do presidente Lula", declarou Haddad.

Disposição para vencer e rejeição ao sacrifício

O pré-candidato foi categórico ao afirmar que não disputa eleições para fazer média ou barganhar, mas sim para vencer. Ele rejeitou novamente a ideia de que sua candidatura representa um sacrifício, destacando que considera um privilégio lutar pelas causas em que acredita.

"Eu disputo eleição para ganhar. A vitória política é sempre possível, basta apresentar de cara limpa, com bom projeto. Essa pessoa ainda não sentou comigo para tomar um chope. Porque se ela me conhecesse, ela jamais diria que entrar no ringue por essa boa causa é um sacrifício para mim. É um grande privilégio lutar ao lado de vocês", ressaltou Haddad.

Contexto eleitoral e pesquisa Datafolha

A disputa pelo governo de São Paulo promete ser acirrada, com pesquisa Datafolha divulgada no domingo (8) mostrando Tarcísio de Freitas liderando todos os cenários testados para o primeiro turno. Em um cenário contra Haddad, o governador aparece com 44% das intenções de voto, enquanto o petista tem 31%. Outros candidatos como Kim Kataguiri (5%), Paulo Serra (5%) e Felipe D'Avila (3%) aparecem com percentuais menores.

Haddad destacou que nunca fez da política sua profissão, mas sim sua razão de vida cidadã, lembrando que ficou de 2016 a 2023 sem cargo eletivo ou nomeado. Ele também comentou sobre o delicado contexto internacional, criticando a falta de liderança global e as crises que afetam o mundo.

O presidente Lula, em seu discurso no evento de lançamento, afirmou que Haddad "vai ser o futuro governador de São Paulo" e que já está preparado para o cargo. Ele também deixou em aberto a possibilidade de Geraldo Alckmin ser seu vice novamente na chapa de reeleição, embora tenha sugerido que o PSB precisa conversar com Haddad sobre onde Alckmin pode ser mais útil.