Fernando Haddad anuncia saída do Ministério da Fazenda para disputar Governo de São Paulo
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deixará o governo do presidente Lula (PT) na próxima semana, conforme confirmado por fontes próximas. A decisão marca seu retorno à cena política paulista, onde ele concorrerá ao Palácio dos Bandeirantes, após um período de incertezas sobre sua disposição para a disputa.
Antecedentes e estratégia eleitoral
Inicialmente, colaboradores diretos de Haddad demonstravam dúvidas sobre sua candidatura, mas agora a consideram certa. A data de saída foi antecipada pelo jornal O Globo e validada por reportagens subsequentes. O ministro planeja uma pausa antes do lançamento oficial, focando na montagem de seu palanque eleitoral.
Em conversas com aliados, Haddad enfatiza que o vice deve ser de total confiança do cabeça de chapa. No final do mês passado, ele admitiu a possibilidade de disputar o Governo de São Paulo, discutindo seu futuro político em um jantar com Lula e um café reservado em São Paulo.
Apoio político e mudanças partidárias
Lula e o presidente do PT, Edinho Silva, já sinalizavam que a candidatura de Haddad estava encaminhada. As ministras Marina Silva (Meio Ambiente) e Simone Tebet (Planejamento) são as favoritas para concorrer ao Senado por São Paulo na chapa de Haddad, exigindo mudanças partidárias:
- Marina Silva deve migrar da Rede para o PT.
- Simone Tebet sairá do MDB para o PSB, além de alterar seu domicílio eleitoral de Mato Grosso do Sul para São Paulo.
Desafios e motivações de Haddad
Haddad resistia à candidatura, citando cansaço após batalhas no Congresso para aprovar medidas econômicas e desgaste causado por críticos internos à política de austeridade. Ele também expressava desejo de retornar à vida acadêmica e receio de nova derrota em São Paulo, dado o favoritismo do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
No entanto, Lula defende a importância de um palanque sólido no maior colégio eleitoral do país. Aliados do presidente acreditam que forçar um segundo turno em São Paulo é crucial para a campanha nacional, com um aliado popular fazendo campanha até a votação decisiva em 25 de outubro.
Contexto eleitoral e pesquisas
A ascensão de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas, aproximando-se de Lula, influenciou Haddad a reconsiderar. Dados do Datafolha mostram que, no campo de esquerda, Haddad é o mais bem posicionado para a disputa paulista:
- Em grau de conhecimento, Haddad está empatado com Tarcísio: 50% conhecem bem o ministro, contra 47% para o governador.
- Em cenário estimulado, Tarcísio lidera com 44% das intenções de voto, seguido por Haddad com 31%.
Esses fatores consolidam a candidatura de Haddad como uma peça-chave na estratégia eleitoral do PT para as próximas eleições.
