A Polícia Civil prendeu seis suspeitos de integrarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) na Operação Contaminatio, deflagrada nesta segunda-feira (27). Entre os detidos está o ex-vereador de Santo André Thiago Rocha de Paula, apontado como articulador político de um esquema da facção criminosa. Ele trabalhou na Prefeitura de Mogi das Cruzes entre janeiro e agosto de 2023, o que passou a ser investigado pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) do município.
Detalhes da operação
Além de Thiago, outros três investigados foram presos temporariamente. Foram cumpridos 22 mandados de busca e apreensão em cidades de São Paulo e de outros estados, além do bloqueio de bens e ativos que totalizam R$ 513,6 milhões. Segundo a investigação, o PCC apoiava e, em alguns casos, financiava campanhas de candidatos que poderiam atuar em favor dos interesses da organização dentro da administração pública. As apurações indicam a atuação de pessoas no âmbito político municipal e estadual.
O delegado Fabricio Intelizano, titular da Dise, afirmou que os policiais analisarão o material apreendido para verificar quais funções Thiago exerceu e se houve irregularidades durante o período em que atuou em Mogi das Cruzes. “Aqui em Mogi das Cruzes nós detectamos essa informação de que um dos presos trabalhou aqui na cidade num determinado período. Embora no curso dessa operação não houvesse alvos aqui em Mogi das Cruzes, com base nessas informações e analisando esse conteúdo que nós apreendemos, nós vamos aprofundar a investigação, inclusive em relação a esse período que ele trabalhou aqui na nossa cidade”, disse.
O delegado acrescentou que ainda não há detalhes conclusivos sobre a atuação de Thiago no município. “Nós vamos verificar agora quais foram os contatos dele, o que de fato ele executou aqui na cidade, qual era o grau de responsabilidade dele dentro da Prefeitura de Mogi das Cruzes e verificar se de alguma forma isso ficou confinado a ele ou se isso se estendeu a outras pessoas”, explicou.
O que diz a gestão anterior
Thiago Rocha de Paula atuou na Prefeitura de Mogi das Cruzes durante a gestão do ex-prefeito Caio Cunha (Podemos), que comandou o município entre 2021 e 2024. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Caio Cunha afirmou que o investigado trabalhou por poucos meses na administração municipal e que não havia suspeitas contra ele à época. “Assim como outras centenas de pessoas, o Tiago trabalhou na nossa gestão. No caso dele, por poucos meses.” O ex-prefeito também disse que não é possível responsabilizar a administração por eventuais condutas individuais. “É leviano associar a imagem de um gestor público a qualquer problema pessoal de um funcionário. Se na época houvesse qualquer suspeita, obviamente ele não teria sido contratado.”
Quem era Thiago
Natural de São Paulo, Thiago foi eleito 3º suplente de vereador em 2020 com 1.564 votos por Santo André. Em suas redes sociais, ele se apresenta como historiador, cientista político, piloto de kart amador e criador da Escola de Governo de Santo André. Segundo a biografia na Câmara, ele é formado em História pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com 14 anos de experiência na Educação, pós-graduado em Ciência Política e cursou Ética e Valores em Governo na Universidade de Oxford.
Operação Contaminatio
A Operação Contaminatio é um desdobramento da Operação Decurio, realizada em agosto de 2024, que bloqueou R$ 8 bilhões de contas de pessoas e empresas suspeitas de ligação com o PCC. Na apuração inicial, policiais encontraram material que apontava a exploração do tráfico de drogas pela facção, além de um esquema estruturado para lavagem de dinheiro obtido com atividades criminosas. Também foi identificado um projeto de infiltração de integrantes da organização criminosa nas eleições municipais de 2024, com o lançamento de candidatos aos cargos em disputa. As investigações apontam ainda o envolvimento de ao menos uma servidora municipal com um integrante do alto escalão do grupo.
Com a análise de dados de dispositivos eletrônicos apreendidos na primeira fase e de informações de inteligência financeira, os investigadores afirmam ter comprovado uma articulação entre os alvos para criar um “núcleo político” para favorecer o PCC. O objetivo seria explorar recursos públicos em benefício da organização criminosa, além da prática de crimes contra a administração pública.



