Douglas Ruas é eleito presidente da Alerj em votação contestada pela oposição
Douglas Ruas eleito presidente da Alerj em votação polêmica

Douglas Ruas assume presidência da Alerj após eleição marcada por controvérsias

Numa sessão carregada de tensão política, o deputado Douglas Ruas (PL) foi eleito nesta sexta-feira (17) como novo presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A eleição ocorreu sem concorrentes diretos após a retirada do candidato da oposição, Vitor Junior (PDT), em protesto contra a manutenção do voto aberto pela Justiça.

Processo eleitoral sob questionamento judicial

Esta já é a segunda tentativa de Ruas assumir o cargo. Em 26 de março, ele havia sido escolhido por parte dos deputados, mas aquela votação foi anulada judicialmente. A oposição contestou o processo por duas vezes na Justiça, argumentando que o voto aberto criava um ambiente de pressão sobre os parlamentares.

Um grupo de 25 deputados de nove partidos – incluindo PSD, MDB, Podemos, PT, PDT, PSB, Cidadania, PCdoB e PV – decidiu não participar da votação como forma de protesto. Em nota, a frente partidária afirmou que não legitimaria "um processo eleitoral de fachada".

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Disputa entre transparência e intimidação

A deputada Martha Rocha (PDT) defendeu o voto secreto como forma de proteger os parlamentares: "Entendemos que o voto secreto evita a intimidação que, por certo, a base do então governador Cláudio Castro vai tentar fazer com os deputados".

Douglas Ruas, por outro lado, posicionou-se como defensor da transparência: "Por que esconder em quem você vai votar? Eu acho que a população tem direito. Quanto mais transparência no poder público, melhor", argumentou o deputado do PL.

Presidente da Alerj não assumirá governo do estado

Tradicionalmente, o presidente da Assembleia Legislativa ocupa posição destacada na linha sucessória do governo fluminense, à frente do presidente do Tribunal de Justiça. No entanto, desta vez essa regra não se aplicará.

Uma liminar do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o desembargador Ricardo Couto de Castro, presidente do Tribunal de Justiça do Rio, permaneça como governador em exercício até que a Corte defina o modelo para escolha do novo chefe do Executivo em mandato-tampão.

Contexto da retotalização de votos

A convocação da nova eleição ocorreu após o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) homologar o resultado da retotalização dos votos para deputado estadual. Este procedimento foi necessário após a cassação do mandato do antigo presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A retotalização, realizada em 31 de março, não alterou a composição partidária da Casa, mas resultou em mudanças individuais:

  • O deputado delegado Carlos Augusto (PL), que exercia uma vaga de suplente, assume uma vaga efetiva de deputado
  • Renan Jordy (PL) assume a cadeira de suplente que estava sendo usada na vacância de Dr. Serginho
  • O PL recuperou a vaga que era do União Brasil com Bacellar

Cassação que desencadeou o processo

A cassação do mandato de Rodrigo Bacellar, com a anulação dos votos recebidos por ele nas eleições de 2022, foi determinada no mesmo processo que analisou irregularidades nas eleições e também atingiu Cláudio Castro (PL). O então governador renunciou às vésperas de ser cassado e ficou inelegível por oito anos.

Os ministros do TSE entenderam que houve abuso de poder político e econômico no uso de estruturas públicas, como a Fundação Ceperj e a Uerj, com impacto direto na disputa eleitoral. Segundo o Código Eleitoral, votos dados a candidatos que perdem o mandato deixam de ser considerados válidos, obrigando a Justiça Eleitoral a recalcular a distribuição das vagas.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar