Senador Cleitinho lidera com folga pesquisas em Minas, mas indecisão sobre candidatura gera incerteza política
O senador Cleitinho Azevedo, fenômeno das redes sociais e com estilo populista, lidera as pesquisas para o governo de Minas Gerais com impressionantes 40% das intenções de voto no primeiro turno, estabelecendo uma vantagem de 21 pontos percentuais sobre o segundo colocado. No entanto, sua indecisão sobre efetivamente se candidatar movimenta intensamente o cenário político mineiro, um estado considerado chave para as eleições de 2026, cobiçado por direitistas e bolsonaristas.
Indefinição estratégica e movimentações partidárias
Sem se posicionar com clareza no páreo mineiro, Cleitinho evita ataques mais pesados dos adversários e ganha tempo valioso. Tudo indica que ele está aguardando para ver se contará com o apoio de outros partidos de direita, em especial do PL, que atualmente demonstra inclinação para lançar um candidato próprio. A principal liderança do partido no estado, Nikolas Ferreira, recusou a missão de concorrer, mas terá um peso significativo na escolha do nome. Ao lado do presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro, Nikolas terá a palavra final sobre a candidatura em Minas Gerais, e até o momento, nenhum gesto público de apoio a Cleitinho foi realizado.
A indecisão do senador tumultua ainda mais uma campanha marcada por grandes interrogações. Depois de muita hesitação, o senador Rodrigo Pacheco aceitou o pedido do presidente Lula para representar a centro-esquerda na disputa. Um bom palanque em Minas é fundamental para o projeto de reeleição do petista. Pacheco já aparece em segundo lugar nas pesquisas, mas ainda não encontrou um partido, precisando sair do PSD, sigla de Mateus Simões, e considerando opções como PSB, MDB e União Brasil.
Trajetória política e estilo populista nas redes
Com uma trajetória relativamente curta na política, com menos de dez anos, Cleitinho, ex-comerciante e músico, cresce junto ao eleitorado devido ao seu estilo populista e focado no uso intensivo de redes sociais. Ele possui quase 4 milhões de seguidores no Instagram e 2 milhões no TikTok, onde é comum vê-lo em vídeos que ele classifica como urgentes, vestindo tênis e camisa de times de futebol, gritando indignado sobre situações de descaso público ou desrespeito a consumidores.
Mayra Goulart, cientista política da Universidade Federal do Rio de Janeiro, afirma que "conteúdos polêmicos são os que mais viralizam na internet", explicando parte do sucesso do parlamentar. Além disso, Cleitinho, que se declara de direita, conservador e bolsonarista, não se poupa de polêmicas, já tendo feito elogios a medidas do governo Lula, como a isenção do imposto de renda para quem ganha até 5.000 reais, e se indispondo com caciques do próprio partido.
Cenário eleitoral complexo e decisões pendentes
O indeciso Cleitinho assiste às indefinições dos outros partidos de camarote e joga a própria decisão para frente, afirmando que "ela será tomada nas convenções. Meu partido já sabe disso: no final de maio ou início de junho eu decido". Se resolver realmente entrar na disputa e conseguir o apoio do PL, Cleitinho será o favorito e uma peça fundamental para o bolsonarismo em Minas Gerais, estado considerado um dos mais decisivos para a eleição presidencial, seguindo a máxima dos marqueteiros de que "quem ganha no estado vence no Brasil".
Enquanto isso, a esquerda também não caminha unida, com a presença da candidatura de Alexandre Kalil (PDT), ex-prefeito de Belo Horizonte, complicando ainda mais o cenário. Cleitinho não decide, mas não perde chance de alimentar especulações, declarando que "acredito que eu poderia ser o candidato do PL pela afinidade que tenho com Flávio. Seria natural ele me apoiar. Caso contrário, não vou ficar chateado", em uma fala típica da astúcia política mineira.



