BRB convoca acionistas para discutir aumento de capital social após aprovação de projeto no DF
BRB discute aumento de capital social com acionistas nesta quarta

BRB convoca assembleia para discutir reforço patrimonial após transações mal-sucedidas

O Conselho de Administração do Banco de Brasília (BRB) realiza nesta quarta-feira, 18 de setembro, uma assembleia extraordinária com acionistas para discutir o aumento do capital social da instituição financeira. A reunião ocorre em um momento crucial, apenas duas semanas após a Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovar projeto que autoriza o governo local a incorporar nove imóveis ao patrimônio público, com possibilidade de venda ao setor privado ou uso como garantia para empréstimos que podem alcançar até R$ 6,6 bilhões.

Proposta de emissão de ações e impacto no capital

O BRB apresentará aos acionistas uma proposta ambiciosa: emitir até 1,67 bilhão de ações ordinárias nas próximas semanas para captar recursos no mercado e fortalecer o patrimônio da instituição. Com essa operação, o banco espera aumentar seu capital social em valores que variam entre R$ 529 milhões (mínimo) e R$ 8,86 bilhões (máximo). Atualmente, o capital social do BRB está estabelecido em R$ 2,34 bilhões.

Se conseguir captar o montante máximo, o BRB elevaria seu capital para impressionantes R$ 11,2 bilhões, valor quase quatro vezes superior ao atual. Todo esse plano, no entanto, ainda depende da aprovação dos investidores do banco, incluindo o governo do Distrito Federal, que é acionista controlador e detém 71,92% do capital da instituição.

Contexto das transações com Banco Master

O governo do Distrito Federal indicou que o valor de até R$ 6,6 bilhões é necessário para recompor o patrimônio do BRB, que foi significativamente afetado após as transações mal-sucedidas envolvendo o Banco Master nos últimos anos. Essas operações comprometeram a solidez financeira da instituição, gerando a necessidade urgente de medidas corretivas.

Imóveis que podem ser utilizados como garantia

Os nove imóveis que o governo do DF poderá utilizar como garantia para eventual empréstimo incluem:

  • SIA, Trecho Serviço Público, Lote F – área pertencente à Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb)
  • SIA, Trecho Serviço Público, Lote G
  • SIA, Trecho Serviço Público, Lote I
  • SIA, Trecho Serviço Público, Lote H
  • SIA, Trecho Serviço Público, Lote C – pertencente à CEB
  • SIA, Trecho Serviço Público, Lote B – pertencente à Novacap
  • Centro Metropolitano, Quadra 03, Conjunto A, Lote 01, em Taguatinga – sede do Centro Administrativo do DF, abandonada há mais de uma década
  • "Gleba A" de 716 hectares, pertencentes à Terracap

Estrutura do possível empréstimo

O empréstimo, que pode inclusive ser realizado junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), é uma das hipóteses contempladas pelo BRB no plano preventivo entregue ao Banco Central. Caso seja concretizado, esses recursos ajudarão o banco a melhorar o perfil de seus ativos, reduzindo o risco associado ao patrimônio.

O objetivo principal é garantir que o banco permaneça sólido e não gere desconfianças no mercado financeiro, evitando assim abalos à credibilidade do BRB. Com a garantia do governo do DF, o banco teria condições de captar recursos em condições mais favoráveis, com juros menores, proporcionando maior consistência ao balanço patrimonial.

Riscos e compromissos

Em contrapartida, caso o BRB e o governo do DF não consigam honrar o empréstimo no futuro, poderão ser obrigados a alienar (vender) esses imóveis para quitar o compromisso assumido. Essa possibilidade representa um risco considerável para o patrimônio público do Distrito Federal.

Posicionamento oficial do BRB

Em nota oficial, o BRB esclareceu: "Os imóveis incluídos no Projeto de Lei encaminhado pelo Governo do Distrito Federal ainda serão submetidos a avaliação técnica independente, realizada por peritos habilitados e com metodologias reconhecidas no mercado. Nesse estágio, não é possível estimar o valor total dos ativos, uma vez que a precificação depende das condições de mercado."

O banco destacou ainda que "a capitalização do BRB não ocorre por meio da transferência direta desses imóveis, mas por estruturas financeiras capazes de monetizá-los, modelo que segue em análise junto ao Banco Central". Além dessas opções, outras estratégias estão sendo avaliadas para reforçar o patrimônio e preservar a capacidade de crédito da instituição, sempre alinhadas às exigências regulatórias e à necessidade de estabilidade financeira.

O BRB enfatizou seu compromisso com "práticas de governança robustas, transparência na condução dos processos e a busca por soluções sustentáveis que assegurem a solidez do Banco e seu papel estratégico no desenvolvimento econômico e social do Distrito Federal". A instituição reafirmou sua função essencial na execução de políticas sociais, distribuição de benefícios, medicamentos e parcerias culturais e esportivas que impactam milhões de brasilienses.