Argentina flexibiliza proteção de geleiras para permitir mineração
O Congresso da Argentina aprovou, na madrugada de quinta-feira (9), uma reforma da Lei de Geleiras que permite às províncias redefinir as áreas protegidas ao redor dessas formações para ampliar a atividade mineradora. A decisão, impulsionada pelo presidente Javier Milei, foi finalizada pela Câmara dos Deputados com 137 votos a favor, 111 contra e 3 abstenções, após quase 12 horas de intenso debate.
Longo processo legislativo e protestos
A proposta já havia sido aprovada pelo Senado argentino em fevereiro, culminando em um processo legislativo marcado por controvérsias. Na terça-feira (8), ativistas do Greenpeace protagonizaram uma manifestação contra a medida em frente ao prédio do Congresso em Buenos Aires. Durante o protesto, houve relatos de ativistas presos após escalarem um monumento em frente ao edifício, e confrontos com a polícia foram registrados, conforme imagens de agências internacionais.
Os manifestantes expressaram preocupação com os possíveis impactos ambientais da flexibilização, argumentando que a mineração em áreas próximas a geleiras pode acelerar seu desaparecimento e causar danos irreversíveis aos ecossistemas locais.
Milei celebra e justifica a reforma
Em comunicado oficial, o presidente Javier Milei celebrou a aprovação da Lei de Orçamentos Mínimos para a Preservação dos Glaciares e do Ambiente Periglacial. No texto, Milei afirmou que a nova legislação permitirá proteger as geleiras enquanto viabiliza a exploração de minerais em áreas que, segundo ele, "estavam incorretamente classificadas como glaciares e que não faziam parte do objeto protegido pela lei".
O presidente argentino defendeu que o novo texto elimina "distorções ideológicas e barreiras artificiais que impediam o progresso" econômico do país, enfatizando a necessidade de equilibrar preservação ambiental com desenvolvimento industrial.
Alerta científico sobre impactos ambientais
Paralelamente, um estudo belga recente tem feito alertas sobre o desaparecimento acelerado de geleiras em todo o mundo, com cientistas do clima explicando os impactos negativos. Eles destacam que a redução das geleiras afeta diretamente o abastecimento de água, a biodiversidade e contribui para o aumento do nível do mar, agravando as mudanças climáticas.
Especialistas argumentam que atividades como a mineração, especialmente em regiões glaciais, podem intensificar esses efeitos, gerando preocupações sobre a sustentabilidade a longo prazo das medidas aprovadas pelo Congresso argentino.
Contexto e próximos passos
A reforma aprovada modifica a legislação original de proteção às geleiras, estabelecendo novos critérios para a definição de áreas protegidas. Com a mudança, as províncias argentinas terão maior autonomia para reclassificar zonas, o que, segundo o governo, facilitará investimentos no setor mineral sem comprometer a preservação ambiental essencial.
No entanto, críticos temem que a flexibilização leve a uma exploração descontrolada, colocando em risco ecossistemas frágeis e ignorando alertas científicos. A implementação da lei será monitorada de perto por organizações ambientais e pela comunidade internacional, em um contexto global de crescente atenção às questões climáticas.



