O programa "Gold Card" (Cartão de Ouro), lançado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para atrair milionários ao país, tem apresentado resultados muito aquém do esperado. Anunciado em fevereiro de 2025 e implementado em setembro do mesmo ano, o visto de residência acelerada exige que estrangeiros paguem US$ 1 milhão. Sete meses após o início, apenas 338 pessoas demonstraram interesse, e somente uma efetivamente pagou o valor total e foi aprovada, conforme admitiu o secretário do Comércio, Howard Lutnick, em sabatina no Congresso no fim de abril.
Números decepcionantes
Dos 338 interessados, apenas 165 pagaram a taxa inicial de processamento de US$ 15 mil. Destes, 59 avançaram para a etapa de análise de formulários. Até o final de abril, somente um candidato havia desembolsado US$ 1 milhão e obtido o visto. O resultado contrasta com as declarações anteriores de Lutnick, que no ano passado chegou a projetar a venda de 200 mil vistos e, em junho, afirmou que havia 70 mil interessados. Ele também havia dito que o programa poderia arrecadar US$ 1 trilhão, ajudando a equilibrar o orçamento dos EUA, cuja dívida pública é de US$ 31,3 trilhões.
Programa substitui EB-5
O Gold Card substitui o EB-5, que oferecia vistos para investimentos de cerca de US$ 1 milhão em empresas com ao menos 10 funcionários. O novo programa também permite que empresas paguem US$ 2 milhões para garantir residência a um funcionário estrangeiro, com taxa anual de 1%. O site oficial do programa exibe o slogan "Desbloqueie a vida na América" e traz uma imagem de um cartão dourado com o rosto de Trump, uma águia, a Estátua da Liberdade e a assinatura do presidente. Há ainda planos para um futuro "Cartão Platina Trump" de US$ 5 milhões, que permitiria ao titular passar até 270 dias nos EUA sem pagar impostos sobre renda obtida no exterior.
Falta de milionários interessados
Apesar do foco de Trump na deportação de imigrantes sem status legal, o republicano defende a imigração de pessoas de alta renda. "Pessoas ricas virão para o nosso país comprando este cartão", disse Trump no ano passado, prevendo que gastariam muito, pagariam impostos e gerariam empregos. No entanto, reportagem da revista Fortune apontou que as projeções eram irrealistas, pois não há tantos ricos dispostos a viver nos EUA. Dados da consultoria Knight Frank indicam que existem cerca de 713 mil pessoas com patrimônio líquido ultra-elevado (acima de US$ 30 milhões) no mundo, mas mais de 40% já vivem na América do Norte. Assim, o mercado potencial para o Gold Card é limitado.



