Donald Trump enfrenta um dilema crucial sobre o Irã: retomar bombardeios ou manter o bloqueio naval? Nenhuma opção é fácil. Enquanto os EUA intensificam sua presença logística no Golfo, o regime iraniano mantém vasto estoque de urânio e a popularidade de Trump oscila. Há indícios de que propostas “inaceitáveis” podem abrir caminho para uma solução negociada.
Opções militares e logísticas
Desfechar uma nova campanha de bombardeios, com duração prevista de apenas duas semanas, ou continuar pressionando com o bloqueio do canal marítimo vital para o Irã? Essas são as duas opções para Trump, ambas aquém do desejável. A opção de retomar os bombardeios, visando recursos energéticos para sufocar economicamente o regime, foi exposta pelo Centcom. Aproveitando o cessar-fogo, os americanos aumentaram a concentração de forças e refizeram os estoques de munição e peças de reposição. Agora possuem quinze navios de guerra no Estreito de Ormuz, com potencial bélico superior ao de muitos países. Esses movimentos logísticos são fundamentais, mas pouco visíveis.
O leque de opções inclui um ataque fulminante contra alvos estratégicos, bombardeio de instalações energéticas ou a continuidade do bloqueio naval com escolta para cargueiros neutros presos no estreito. Todas têm custo político, incluindo a percepção de que o Irã está “humilhando” os EUA, nas palavras do primeiro-ministro alemão Friedrich Merz. Essa declaração gerou o anúncio da retirada de cinco mil tropas americanas da Alemanha, beneficiando Vladimir Putin.
Urânio e opinião pública
Os EUA não estão sendo humilhados, mas também não alcançam os objetivos declarados. O regime teocrático continua no poder e o urânio enriquecido permanece no país, talvez soterrado desde os primeiros bombardeios. Trump tem paciência para um processo lento, onde o petróleo iraniano não consegue sair e a economia é estrangulada? As condições econômicas deterioradas levarão as massas às ruas? A resposta é provavelmente não. A gasolina mais cara corrói o prestígio de Trump, que tem 40,8% de aprovação contra 56,7% de desaprovação. Cerca de 60% dos americanos são contra as operações no Irã.
Os estoques de urânio, antes dos ataques, são muito maiores do que o informado. Segundo o New York Times, dariam para fabricar cerca de cem artefatos nucleares. Isso explica a posição das Forças de Defesa de Israel, que consideram qualquer coisa abaixo da entrega do urânio uma derrota.
Possível solução negociada
Talvez esta semana Trump mostre sua escolha. Nenhuma é fácil, mas a situação do Irã é pior. A proposta de congelar o enriquecimento de urânio por até quinze anos indica espaço para uma solução negociada. É com propostas “inaceitáveis”, na definição de Trump, que se começa a negociar de verdade.



