O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na sexta-feira (8) um cessar-fogo de três dias entre Rússia e Ucrânia, juntamente com uma troca de prisioneiros entre os países. A medida reduziu os temores de um possível ataque ucraniano durante o desfile do Dia da Vitória, que ocorre neste sábado (9) na Praça Vermelha, em Moscou.
Contexto do Dia da Vitória
A Rússia celebra neste sábado o Dia da Vitória, que marca os 81 anos da vitória da União Soviética sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial. O presidente Vladimir Putin e outras autoridades participam do desfile na Praça Vermelha. A data tradicionalmente exibe pompa, fervor nacionalista e demonstrações do poderio militar russo, mas este ano o evento será diferente.
Desfile sem tanques pela primeira vez em quase duas décadas
Pela primeira vez em quase duas décadas, o desfile militar não contará com tanques, mísseis e outros equipamentos militares, com exceção dos aviões de guerra no sobrevoo. Autoridades russas atribuíram a decisão à "situação operacional atual", sem dar mais detalhes. O Exército russo está envolvido em uma ofensiva lenta e difícil na Ucrânia, enquanto ataques ucranianos de longo alcance atingiram a produção de petróleo, fábricas e depósitos militares em território russo.
Reações e declarações
Trump acrescentou que a pausa nos combates pode representar o "começo do fim" da guerra, que já entra em seu quinto ano. No entanto, analistas consideram improvável que a trégua abra caminho para um acordo de paz abrangente. No início da semana, cessar-fogos unilaterais declarados por Ucrânia e Rússia fracassaram, com ambos os lados se culpando mutuamente.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que a Ucrânia consentiu com o acordo mediado pelos EUA motivada pela perspectiva de libertar seus prisioneiros. Zelensky publicou um decreto permitindo, de forma irônica, que a Rússia realizasse as celebrações do Dia da Vitória no sábado, declarando temporariamente a Praça Vermelha fora do alcance de ataques ucranianos. "A Praça Vermelha importa menos para nós do que as vidas dos prisioneiros de guerra ucranianos que podem voltar para casa", escreveu Zelensky no Telegram.
Ameaças e medidas de segurança
Autoridades russas advertiram repetidamente que Moscou tomaria medidas decisivas — incluindo um possível ataque em massa contra Kiev — caso ações ucranianas perturbassem os eventos oficiais. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia aconselhou embaixadas estrangeiras e organizações internacionais em Kiev a evacuarem seus escritórios, e o Ministério da Defesa pediu que civis deixassem a cidade.
Em Moscou, todo o acesso à internet móvel e serviços de mensagens de texto será restringido neste sábado, segundo o governo russo, para garantir a segurança pública. Alguns russos estão insatisfeitos com a censura na internet e o bloqueio do aplicativo Telegram.
Presença internacional
O rei da Malásia, Sultan Ibrahim Iskandar, o presidente do Laos, Thongloun Sisoulith, o presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, o presidente do Uzbequistão, Shavkat Mirziyoyev, e o líder autoritário de Belarus, Alexander Lukashenko, eram esperados em Moscou. O primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, depositou flores no memorial do Túmulo do Soldado Desconhecido e deve se reunir com Putin, mas ficará fora do desfile.



