Presidente da Bolívia corta próprio salário em 50% durante protestos
Presidente da Bolívia corta salário em 50% em meio a protestos

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, anunciou nesta segunda-feira, 25, a redução de seu próprio salário e dos vencimentos de seus ministros em 50%, em um gesto para demonstrar compromisso com o país em meio à escalada de protestos que já duram quatro semanas. A declaração foi feita em Sucre, capital constitucional boliviana, e ocorre em um cenário de bloqueios de estradas e manifestações que pedem a renúncia do mandatário.

Contexto da crise

As manifestações, que começaram com pautas sindicais como reajustes salariais e críticas a uma lei de reclassificação de terras, rapidamente evoluíram para um movimento contra as políticas de austeridade implementadas pelo governo de centro-direita. Desde o início de maio, a Federação de Camponeses Túpac Katari iniciou um bloqueio indefinido de rodovias no oeste do país, deixando La Paz parcialmente cercada e causando escassez de alimentos, combustível e medicamentos em mercados, hospitais e postos de gasolina.

Violência e alerta internacional

Na semana passada, os protestos se tornaram mais violentos, com confrontos com a polícia, vandalismo, ataques a prédios públicos e estações de teleférico, além de saques e queima de viaturas. O porta-voz presidencial, José Luis Gálvez, informou que houve convocações para que manifestantes portassem armas, embora não haja registro de mortos ou feridos por disparos. Os Estados Unidos alertaram para uma "tentativa de golpe de Estado", com o vice-secretário de Estado Christopher Landau afirmando que a mobilização seria financiada por "uma aliança perversa entre política e crime organizado na região".

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Medidas de Paz e reações

Paz, ex-senador e filho do ex-presidente Jaime Paz Zamora, assumiu o poder há seis meses prometendo um choque econômico para enfrentar a pior crise em quatro décadas, herdada do governo do MAS. Uma de suas primeiras medidas foi acabar com o subsídio estatal aos combustíveis, vigente há vinte anos, o que gerou aumento de preços e o escândalo do "combustível adulterado". O presidente atribuiu o problema a sabotagem de ex-integrantes do governo. Apesar dos cortes salariais, os manifestantes continuam exigindo a reversão das medidas de austeridade e a renúncia de Paz.

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