Petróleo sobe pelo 8º dia e atinge maior nível em quase 4 anos
Petróleo sobe pelo 8º dia e atinge maior nível em quase 4 anos

Preços do petróleo disparam com tensões no Oriente Médio e saída dos Emirados da Opep

Os preços do petróleo subiam pelo oitavo dia consecutivo nesta quarta-feira (28), alcançando o maior patamar em quase quatro anos. O movimento foi impulsionado pelo agravamento das tensões no Oriente Médio, especialmente entre Estados Unidos e Irã, além da saída dos Emirados Árabes Unidos da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e da Opep+.

De acordo com dados da Bloomberg, o petróleo tipo Brent, referência internacional, registrava alta de 5,80% por volta das 13h, cotado a US$ 117,71 o barril. Esse é o maior valor desde 10 de junho de 2022, quando atingiu US$ 122,01. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos Estados Unidos, subia 5,63% no mesmo horário, negociado a US$ 105,56.

O tipo Brent é a principal classificação de petróleo cru para os mercados europeu e asiático, sendo a referência utilizada pela Petrobras para definir os preços dos combustíveis no mercado interno. Extraído principalmente no Mar do Norte, é classificado como "leve" e "doce" devido à sua baixa densidade e baixo teor de enxofre, o que facilita o refino em gasolina e diesel.

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Ameaças de Trump ao Irã intensificam alta

O avanço nos preços da commodity ganhou força pela manhã, após o presidente dos EUA, Donald Trump, voltar a ameaçar o Irã. Em uma publicação nas redes sociais, o republicano compartilhou uma montagem em que aparece segurando um fuzil, com explosões ao fundo, acompanhada da mensagem "chega de bancar o bonzinho".

"O Irã não consegue se organizar. Eles não sabem como assinar um acordo que não seja nuclear. É melhor ficarem espertos logo!", afirmou Trump. Segundo a mídia internacional, o presidente dos EUA está insatisfeito com a proposta do Irã para encerrar a guerra. A expectativa é que o governo americano dê uma resposta nos próximos dias.

Em contrapartida, o Irã declarou que só permitirá novamente a passagem de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz após o fim definitivo da guerra com Estados Unidos e Israel. A retomada do trânsito dependerá ainda do cumprimento de protocolos de segurança definidos por Teerã.

Saída dos Emirados Árabes da Opep agrava crise

A escalada das tensões se soma à saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep e da Opep+ a partir de 1º de maio, anunciada na véspera. A decisão representa um duro golpe para o grupo e para a Arábia Saudita, seu principal líder.

O ministro de Energia dos Emirados Árabes Unidos, Suhail Mohamed al-Mazrouei, confirmou a saída à Reuters e explicou que a decisão foi tomada após uma análise detalhada das estratégias de energia do país na região. A inesperada saída dos Emirados, membro da Opep desde 1967, ocorre em um período em que o conflito com o Irã já causava uma crise energética sem precedentes, afetando a economia mundial.

A decisão pode gerar instabilidade e enfraquecer o grupo, que geralmente tenta manter uma imagem de união, mesmo com divergências internas sobre temas como política internacional e limites de produção. Quando perguntado se os Emirados Árabes Unidos conversaram com a Arábia Saudita sobre a decisão, al-Mazrouei disse que o país não tratou do tema com nenhuma outra nação. "Esta é uma decisão sobre política, tomada após uma análise cuidadosa das políticas atuais e futuras relacionadas ao nível de produção", afirmou.

Os países do Golfo que fazem parte da Opep já enfrentavam dificuldades para exportar pelo Estreito de Ormuz, que fica entre o Irã e Omã. Por esse local passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, mas as exportações foram prejudicadas por ameaças e ataques iranianos a navios. Mazrouei disse que a saída dos Emirados Árabes Unidos não deve causar grande impacto no mercado devido à situação no estreito.

País aliado dos EUA critica falta de apoio árabe

A decisão foi tomada depois que os Emirados Árabes Unidos, importante centro de negócios e um dos principais aliados dos Estados Unidos, criticaram outros países árabes por não fazerem o suficiente para defendê-los de vários ataques do Irã durante o conflito. A saída do país da Opep é vista como uma vitória para o presidente Donald Trump, que já acusou a organização de "roubar o resto do mundo" ao aumentar os preços do petróleo.

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Trump também relacionou o apoio militar dos Estados Unidos à região do Golfo aos valores do petróleo, dizendo que, enquanto os americanos protegem os países da Opep, eles "exploram isso impondo preços altos do petróleo".

Anwar Gargash, conselheiro diplomático do presidente dos Emirados Árabes Unidos, também criticou a resposta dos países árabes e do Golfo aos ataques do Irã, durante uma reunião no Fórum de Influenciadores do Golfo, na segunda-feira. "Os países do Conselho de Cooperação do Golfo se apoiaram logisticamente, mas política e militarmente, acho que sua posição tem sido historicamente a mais fraca", disse Gargash. "Eu esperava essa postura fraca da Liga Árabe, e não me surpreende, mas não esperava isso do Conselho de Cooperação do Golfo. Estou surpreso", afirmou.

*Com informações da agência de notícias Reuters.