O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, declarou nesta segunda-feira, 4 de maio de 2026, que os líderes europeus 'entenderam o recado' depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou planos de remover milhares de soldados americanos estacionados em países como Alemanha, Espanha e Itália. Em mais um sinal de frustração contra a aliança militar, Trump voltou a acusar a Otan de não fazer o suficiente para apoiar Washington na guerra contra o Irã, classificando a atitude como 'covardia', enquanto seu governo estuda possíveis punições aos aliados.
Reação de Rutte e líderes europeus
Antes de uma reunião da Comunidade Política Europeia (CPE) na Armênia, Rutte reconheceu a 'decepção por parte dos Estados Unidos'. 'Os líderes europeus entenderam a mensagem. Eles ouviram a mensagem alta e clara', afirmou. 'Os europeus estão se mobilizando, um papel maior para a Europa e uma Otan mais forte', acrescentou. Na última sexta-feira, o Pentágono anunciou a retirada de 5 mil soldados da Alemanha, dias após o chanceler Friedrich Merz ter dito que os EUA estavam sendo 'humilhados' pelo Irã durante as negociações de paz.
Reação da União Europeia
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, classificou o anúncio como uma 'surpresa'. 'Acho que isso demonstra que precisamos realmente fortalecer o pilar europeu na Otan. Precisamos fazer mais', disse, enfatizando que 'os militares americanos não estão na Europa apenas para proteger os interesses europeus, mas também os interesses americanos'. Durante o fim de semana, a porta-voz da Otan, Allison Hart, afirmou que autoridades dos 32 Estados-membros 'estão trabalhando com os Estados Unidos para entender os detalhes de sua decisão sobre o posicionamento das forças na Alemanha'.
Críticas à guerra contra o Irã
As críticas europeias à guerra contra o Irã aumentaram nas últimas semanas, enquanto o conflito continua impactando a economia global devido ao fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do gás e petróleo consumidos no mundo. Na semana passada, Merz comparou a guerra a outras intervenções militares americanas, como as invasões do Iraque e do Afeganistão. 'No momento, é uma situação bastante complexa e isso está nos custando muito dinheiro. Este conflito tem um impacto direto em nossa produção econômica', declarou. A Espanha se recusou a permitir que os EUA usassem seu espaço aéreo ou bases militares para ataques ao Irã. O primeiro-ministro Pedro Sánchez condenou a guerra 'injustificada', afirmando que a 'intervenção militar perigosa' está fora do direito internacional.
Resposta de Trump e movimentações militares
Em resposta, Trump afirmou que seu governo tem sido 'terrível' e ameaçou romper relações comerciais com Madri. Apesar disso, Rutte disse que 'cada vez mais' nações europeias estão posicionando recursos como caça-minas e navios de varredura de minas perto do Golfo, prontas para a 'próxima fase' da guerra, sem fornecer detalhes. Membros da UE já haviam adiantado que não ajudariam a policiar o Estreito de Ormuz até o fim do conflito.
Aumento dos gastos com defesa
Muitos países europeus se comprometeram a aumentar os gastos com defesa diante dos temores sobre o compromisso de Trump com a Otan, um risco elevado em meio à guerra da Rússia contra a Ucrânia. Essa iniciativa foi reforçada por diversos líderes na capital armênia. 'Os europeus estão tomando as rédeas do próprio destino, aumentando seus gastos com defesa e segurança e construindo suas próprias soluções comuns', disse o presidente francês, Emmanuel Macron. 'Precisamos aprimorar nossas capacidades militares para sermos capazes de nos defender e nos proteger', declarou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.



