OMS e países rastreiam origem de surto de hantavírus em cruzeiro
OMS rastreia origem de surto de hantavírus em cruzeiro

OMS e autoridades sanitárias globais investigam origem de surto de hantavírus em cruzeiro

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e diversos países estão mobilizados para rastrear a origem de um surto de hantavírus ocorrido a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, que partiu da Argentina em direção a Cabo Verde. Até o momento, cinco dos oito casos suspeitos foram confirmados, e três pessoas que estavam a bordo faleceram. A OMS não especificou quais casos foram confirmados, mas informou que um cidadão britânico de 69 anos foi o primeiro positivo, encaminhado para uma UTI em Joanesburgo, na África do Sul. Uma mulher alemã também morreu no cruzeiro, e um casal holandês faleceu após contrair o vírus.

O que é o hantavírus e como ele age?

O hantavírus causa a hantavirose, que em humanos pode se manifestar como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH). Segundo o Ministério da Saúde brasileiro, a infecção pode levar a comprometimento cardíaco. Os principais sintomas incluem fadiga, febre, dores musculares, dor de cabeça, tonturas, calafrios e problemas abdominais. Em casos graves, podem ocorrer problemas pulmonares e cardiovasculares severos, evoluindo para síndrome da angústia respiratória (SARA).

Formas de transmissão do hantavírus

Os hantavírus são transmitidos por roedores silvestres, que eliminam o vírus pela urina, saliva e fezes. Os roedores podem carregar o vírus por toda a vida sem adoecer. A infecção em humanos ocorre principalmente pela inalação de aerossóis formados a partir dessas excretas. Outras formas incluem contato do vírus com mucosas (olhos, boca ou nariz) por mãos contaminadas, cortes na pele causados por roedores e, em casos raros, transmissão pessoa a pessoa, relatada na Argentina e Chile com o hantavírus Andes.

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Tratamento e cuidados

Não existe tratamento específico para infecções por hantavírus. O manejo é baseado no combate aos sintomas, com medicamentos administrados por médico especializado conforme a gravidade. O Ministério da Saúde recomenda que profissionais expostos usem equipamentos de proteção individual, como luvas, máscaras e óculos. O CDC dos EUA sugere oxigenoterapia, ventilação mecânica, antivirais e até diálise. Casos graves podem exigir internação em UTI e intubação.

Detalhamento dos casos no navio

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, detalhou a situação dos casos suspeitos:

  • Primeiro caso: Um homem desenvolveu sintomas em 6 de abril e faleceu no navio em 11 de abril. Nenhuma amostra foi coletada, e a infecção por hantavírus foi descartada devido à semelhança com outras doenças respiratórias.
  • Segundo caso: A esposa do homem desembarcou na ilha de Santa Helena e apresentou sintomas. Seu estado piorou durante um voo para Joanesburgo em 25 de abril, e ela faleceu no dia seguinte. Amostras confirmaram hantavírus.
  • Terceiro caso: Uma mulher alemã a bordo desenvolveu sintomas em 28 de abril e faleceu em 2 de maio. A doença foi confirmada.
  • Quarto caso: Um homem britânico de 69 anos procurou o médico do navio em 24 de abril, foi evacuado para a África do Sul e permanece em UTI. Foi o primeiro caso confirmado no navio.
  • Quinto, sexto e sétimo casos: Duas pessoas estão estáveis no hospital, e uma é assintomática e já está na Alemanha.
  • Oitavo caso: Um homem que desembarcou em Santa Helena também é suspeito.

Situação fora do navio

Suspeitas de hantavírus em pessoas que não estiveram no cruzeiro surgiram na França, Holanda e Singapura. O governo de Singapura isolou duas pessoas que estavam no voo com a viúva da primeira vítima. Na Holanda, uma comissária de bordo da KLM que teve contato com a viúva foi internada em Amsterdã. Nos Estados Unidos, Califórnia, Geórgia e Arizona monitoram pacientes com sintomas suspeitos. Um cidadão francês que teve contato com um infectado está assintomático e sob monitoramento.

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OMS descarta nova pandemia

O diretor-geral da OMS afirmou que a ameaça à saúde pública geral é baixa. A diretora do Departamento de Prevenção e Preparo para Epidemias e Pandemias, Maria Van Kerkhove, reforçou que não se trata de uma nova epidemia: "Isso não é o começo de uma nova pandemia de Covid-19. O hantavírus não se espalha da mesma forma; na maioria das vezes, nem é transmitido de pessoa para pessoa." Um especialista da OMS está a bordo do navio e acompanhará os passageiros até a chegada em Tenerife, na Espanha. A OMS notificou os países de origem dos passageiros para monitoramento: Canadá, Dinamarca, Alemanha, Holanda, Nova Zelândia, São Cristóvão e Nevis, Singapura, Suécia, Suíça, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos.