Donald Trump, com seu estilo provocador e muitas vezes insuportável, é frequentemente retratado pela imprensa como um bufão que estaria levando os Estados Unidos ao fracasso. No entanto, por trás das atitudes aparentemente caóticas, há um método geopolítico inovador que pode estar funcionando.
O método Trump em ação
O "método Trump" envolve intervenções em áreas de importância vital, mas sem o arcabouço tradicional de imposição democrática. Diferentemente do passado, quando os EUA promoviam instituições democráticas em países como Japão, Iraque e na Europa Oriental, Trump foca em resultados práticos, ignorando o pacote democrático.
Venezuela: um caso exemplar
Na Venezuela, a abordagem foi surpreendente. Em vez de apoiar María Corina Machado, que venceu as eleições, Trump passou a lidar com Delcy Rodríguez, uma chavista emérita, que agora recebe representantes do governo americano e de petroleiras. O regime de Nicolás Maduro foi desmontado em sua atitude em relação aos EUA, mas internamente tudo continua igual.
Irã: intervenção cirúrgica
No Irã, a eliminação de quarenta líderes, incluindo o líder supremo Ali Khamenei, não resultou em mudança de regime. Trump passou a tratar os novos interlocutores como jogadores inteligentes, elogiando seu QI elevado. O regime permanece, mas a atitude mudou.
Intervencionismo isolacionista
Essa mistura de intervencionismo com isolacionismo, por meio de operações cirúrgicas que não se perpetuam no tempo, aceitando que os regimes não mudem se fizerem o que os EUA querem, é uma novidade geopolítica. O controle americano sobre o petróleo e suas vias de escoamento só aumenta.
E Cuba?
Diante desse cenário, surge a questão: seria possível aplicar método semelhante em Cuba, transformando o regime em "comunistas sem comunismo"?
Publicado em VEJA de 24 de abril de 2026, edição nº 2992.



