O tribunal federal de Oakland, na Califórnia, sedia a partir desta segunda-feira (27) o aguardado julgamento que coloca frente a frente o bilionário Elon Musk e a OpenAI, criadora do ChatGPT. A ação judicial, movida por Musk em 2024, alega que a organização se desviou de sua missão original de atuar como uma entidade sem fins lucrativos, transformando-se em uma máquina de geração de riqueza.
Seleção do júri e testemunhas-chave
A seleção do júri está programada para hoje, enquanto as alegações iniciais devem ocorrer nesta terça-feira. Entre os nomes confirmados para depor pessoalmente estão o próprio Elon Musk, o CEO da OpenAI, Sam Altman, e o CEO da Microsoft, Satya Nadella. A expectativa é de que o julgamento se estenda por várias semanas, dada a complexidade do caso.
As acusações de Musk
Musk, um dos cofundadores originais da OpenAI, sustenta que a empresa, sob a liderança de Sam Altman e Greg Brockman, abandonou o compromisso com o benefício da humanidade. Ele alega que foi mantido no escuro sobre a criação de uma estrutura comercial em 2019 e que seu nome e apoio financeiro foram usados indevidamente para atrair investidores. O bilionário investiu cerca de US$ 38 milhões na OpenAI entre 2016 e 2020.
Musk pede US$ 150 bilhões em danos da OpenAI e da Microsoft, valor que, segundo fontes ligadas ao caso, seria destinado ao braço filantrópico da OpenAI. Além da indenização, ele exige que a OpenAI retorne ao status estritamente sem fins lucrativos e que Altman e Brockman sejam removidos de seus cargos executivos.
A defesa da OpenAI
Os advogados da OpenAI rebatem as acusações, afirmando que Musk é motivado pelo desejo de controle e pelo interesse em impulsionar sua própria empresa de inteligência artificial, a xAI, fundada por ele em 2023. A empresa alega que Musk participou ativamente das discussões sobre a mudança de estrutura e que ele próprio exigiu ser o CEO na época. A Microsoft, também ré no processo, nega qualquer conspiração e afirma que sua parceria com a OpenAI só foi firmada após a saída de Musk do conselho da empresa.
De 'Projeto Manhattan' a disputa de egos
Documentos internos revelados no processo oferecem detalhes sobre a evolução da OpenAI, que nasceu em um laboratório de pesquisa no apartamento de Greg Brockman e hoje é avaliada em mais de US$ 850 bilhões. Altman apresentou a ideia a Musk em 2015, descrevendo-a como o 'Projeto Manhattan da IA'. O apoio de Musk foi fundamental para atrair cientistas de elite.
Em 2017, tensões surgiram quando Musk questionou a viabilidade do projeto e tentou assumir o controle como CEO. Na mesma época, anotações do diário de Brockman revelavam o desejo de 'se livrar' de Musk, chamando-o de 'líder glorioso' de forma irônica. Musk deixou o conselho em 2018, prevendo que a OpenAI fracassaria diante do Google.
Em 2019, a empresa se reestruturou para aceitar investimentos externos, e o lançamento do ChatGPT no fim de 2022 consolidou seu sucesso global. O desfecho do caso ocorre em um momento crítico: a OpenAI prepara uma possível abertura de capital que pode elevar seu valor de mercado para US$ 1 trilhão. Do outro lado, a xAI de Musk tenta diminuir a distância tecnológica para o ChatGPT, enquanto a SpaceX também planeja seu IPO.
Com informações da agência de notícias Reuters.



