Israel intercepta flotilha humanitária para Gaza e detém 211 ativistas
Israel detém 211 ativistas em flotilha para Gaza

Forças de Israel interceptaram, em águas internacionais, perto da costa da Grécia, mais de 20 embarcações que integravam uma flotilha de ajuda humanitária com destino à Faixa de Gaza. Ao menos 211 ativistas foram detidos, conforme informações de autoridades e organizadores do comboio nesta quinta-feira, 30 de abril.

Detalhes da interceptação

Hélène Coron, representante da seção francesa do grupo Global Sumud, cujo objetivo é romper o bloqueio imposto por Israel ao território palestino, confirmou o número de detidos. Anteriormente, o Ministério das Relações Exteriores de Israel havia indicado que o total era de 175 pessoas. Segundo o grupo, agentes israelenses apontaram armas de assalto para os tripulantes e ordenaram que se deslocassem para a parte dianteira das embarcações.

Coron afirmou, por videoconferência, que a operação de interceptação ocorreu perto da Ilha de Creta, a uma distância considerada “sem precedentes” de Israel. Onze detidos eram de nacionalidade francesa, disse Coron, que não pôde precisar a nacionalidade dos demais. Sem indicar um número exato, o governo italiano pediu a libertação de seus cidadãos.

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Reações e acusações

O Ministério das Relações Exteriores israelense afirmou que abordou o que chamou de uma “flotilha de propaganda” e alegou ter encontrado “preservativos e drogas” a bordo. A declaração foi contestada pelo porta-voz do grupo, que classificou a informação como “desinformação”.

Dois comboios internacionais anteriores, com ativistas como Greta Thunberg e algumas figuras de países latino-americanos, como o brasileiro Thiago Ávila, foram interceptados pela Marinha israelense em frente às costas do Egito e de Gaza no verão e no outono europeus de 2025. A abordagem desses barcos foi considerada ilegal pelos organizadores e pela Anistia Internacional, gerando condenações internacionais. Os membros da tripulação foram presos e expulsos por Israel.

Contexto humanitário

As autoridades israelenses controlam todos os pontos de entrada em Gaza e foram acusadas pela ONU e por ONGs de impedir a entrada de bens no território, resultando em grave escassez desde o início da guerra, em outubro de 2023. Além do bloqueio, um relatório divulgado pela organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) acusa Israel de utilizar “a privação deliberada de água” como arma contra a população palestina. A prática ocorre em paralelo à destruição de instalações de saúde, casas e à morte de civis, além de deslocamentos forçados em massa.

“A água é um direito humano básico e negar esse direito viola o Direito Internacional Humanitário e as convenções de Genebra, constituindo um crime de guerra”, alertou Claire San Filippo, coordenadora de emergência da MSF.

Impactos e reconstrução

No início do mês, as Nações Unidas e a União Europeia informaram que serão necessários US$ 71,4 bilhões (cerca de R$ 355 bilhões) para reconstruir a devastada Faixa de Gaza durante a próxima década, conforme estimativas de um estudo realizado com o Banco Mundial. O levantamento considera danos materiais, perdas econômicas e necessidades de recuperação e reconstrução após dois anos de guerra entre Israel e Hamas. Nos primeiros 18 meses, a previsão é de US$ 26,3 bilhões (R$ 130,7 bilhões) para “restabelecer serviços essenciais, reconstruir infraestruturas básicas e impulsionar a recuperação econômica”.

O relatório aponta que os prejuízos diretos à infraestrutura somam cerca de US$ 35,2 bilhões, enquanto as perdas econômicas e sociais chegam a US$ 22,7 bilhões. Os setores mais afetados são habitação, saúde, educação, comércio e agricultura. Mais de 371 mil residências foram danificadas ou destruídas, assim como quase todas as escolas palestinas. Mais da metade dos hospitais está fora de funcionamento, e a economia do território sofreu retração de 84%. Cerca de 1,9 milhão de pessoas foram deslocadas e mais de 60% da população perdeu suas casas, agravando a crise humanitária.

Segundo fontes médicas citadas pelas Nações Unidas, ao menos 72.000 palestinos morreram e outros 172.000 ficaram feridos desde 7 de outubro de 2023, data dos ataques do grupo militante Hamas contra território israelense.

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