O Exército israelense realizou ataques no leste do Líbano nesta segunda-feira, 27, ampliando o escopo de sua campanha de bombardeios, apesar de um cessar-fogo firmado em 16 de abril. Um porta-voz das Forças de Defesa de Israel confirmou o início de ataques a infraestruturas no Vale do Bekaa, bem como em áreas no sul do Líbano. Fontes de segurança disseram à Reuters que os ataques atingiram as proximidades da cidade de Nabi Chit, perto da fronteira leste do Líbano com a Síria.
Os ataques marcam a primeira vez que a região do Vale do Bekaa é atingida desde a trégua, que é rotineiramente violada. No domingo, o Ministério da Saúde do Líbano relatou que ataques mataram 14 pessoas, marcando o dia mais letal desde a assinatura do acordo. Em resposta aos ataques recentes, o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, acusou Israel de cometer crimes de guerra. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que as forças armadas estavam atacando o Hezbollah “vigorosamente”, enquanto o grupo militante libanês prometeu continuar respondendo às “violações”.
O cessar-fogo foi prorrogado por três semanas na quinta-feira passada, após seis semanas de guerra durante as quais Israel também invadiu o sul do país. As tropas israelenses operam dentro de uma “linha amarela” anunciada por Israel, que delimita uma faixa de território libanês com cerca de 10 quilômetros de largura ao longo da fronteira, onde os moradores foram avisados para não retornarem. O Ministério da Saúde do Líbano informou que entre os mortos no domingo estavam duas mulheres e duas crianças, e que outras 37 pessoas ficaram feridas.
Ataques israelenses mataram pelo menos 36 pessoas desde o início do cessar-fogo, segundo uma contagem da AFP com base em dados do Ministério da Saúde. Ao todo, mais de 2.400 pessoas foram mortas no Líbano desde 2 de março, quando Israel lançou sua ofensiva e subsequente invasão ao sul do país. A Agência Nacional de Notícias do Líbano (NNA), estatal, informou sobre ataques israelenses em vários locais do sul no domingo, tanto em áreas onde Israel emitiu um alerta de evacuação quanto em outros locais. Correspondentes da AFP relataram intenso tráfego em direção ao norte, com pessoas fugindo após o alerta e a intensificação dos ataques.
O Líbano foi arrastado para guerra após ataques do Hezbollah, apoiado pelo Irã, em represália às operações de Estados Unidos e Israel em território iraniano e à morte do líder supremo Ali Khamenei, em 28 de fevereiro. De acordo com a trégua, que ocorreu após uma reunião histórica entre autoridades israelenses e libanesas que irritou o Hezbollah, Israel reserva-se o direito de responder a “ataques planejados, iminentes ou em andamento”.
O Hezbollah se opõe veementemente às negociações diretas e seu líder, Naim Qassem, descreveu as conversas em uma declaração escrita na segunda-feira como uma “concessão humilhante e desnecessária”. “Que fique claro, essas negociações diretas e seus resultados são considerados inexistentes para nós e não nos dizem respeito de forma alguma. Continuaremos nossa resistência defensiva pelo Líbano e seu povo”, disse Qassem. O presidente libanês, Joseph Aoun, defendeu a decisão do governo de se engajar em conversas presenciais e, na segunda-feira, alfinetou o Hezbollah sem mencionar o nome do grupo. “O que estamos fazendo não é traição; a traição é cometida por quem leva seu país à guerra para alcançar interesses externos”, disse ele em um comunicado divulgado por seu gabinete, uma aparente referência à decisão do Hezbollah de entrar na guerra regional no mês passado.



