A Igreja Católica engrossou o coro das críticas ao governo argentino, após Javier Milei proibir na semana passada a entrada de jornalistas credenciados na Casa Rosada. Em comunicado divulgado nesta segunda-feira, 27, a Assembleia dos Bispos Católicos da Argentina pediu diálogo para encontrar uma solução rápida para preservar o direito à liberdade de expressão.
“Esperamos uma solução rápida por meio do diálogo e da compreensão mútua”, disse a Conferência Episcopal da Argentina. De acordo com a nota, o arcebispo Jorge Lozano se reuniu com jornalistas na última sexta-feira, ocasião em que discutiram a necessidade de respeito ao direito ao trabalho e à liberdade de expressão.
Durante a conversa, os repórteres enfatizaram suas garantias constitucionais ao exercício da atividade, bem como a importância da livre expressão e do acesso à informação para a sociedade. O comunicado acrescentou que Lozano e os jornalistas concordaram sobre a importância de eliminar o discurso de ódio, citando o apelo do papa Leão XIV para “desarmar as palavras e deixar de lado as expressões ofensivas”.
“Espionagem ilegal”
Na última quinta-feira, Milei bloqueou o acesso de jornalistas à sede do governo, alegando haver práticas de “espionagem ilegal” após uma emissora de televisão divulgar imagens da Casa Rosada gravadas com óculos inteligentes. De acordo com sua administração, a medida foi necessária para garantir a “segurança nacional”.
Milei também xingou jornalistas da emissora TN de “lixo nojento”. O presidente argentino tem entrado em conflito repetidamente com profissionais de imprensa, com insultos tanto nas redes sociais, como durante entrevistas.
Em resposta, os profissionais credenciados para trabalhar na Casa Rosada divulgaram uma declaração conjunta, em que chamaram a decisão de injustificada. “Negar o acesso aos repórteres sugere um ataque explícito à liberdade de imprensa, à prática do jornalismo e ao direito do público de acessar as informações”, defenderam os profissionais.
Também em nota, a Associação de Entidades Jornalísticas Argentinas (Adepa) manifestou “máxima preocupação” com a decisão do governo e ressaltou que a medida “não encontra precedentes na vida democrática argentina”. A sala de imprensa afetada, localizada na sede do governo, funciona praticamente sem interrupção desde 1940, garantindo o acesso a jornalistas.



