Um relatório conjunto da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e do Ministério da Agricultura do Líbano alertou nesta quarta-feira, 29, que cerca de 1,2 milhão de pessoas no país poderão enfrentar níveis agudos de fome em decorrência dos ataques de Israel iniciados em meio à guerra no Irã. O número representa quase um quarto da população libanesa e evidencia o rápido agravamento da crise humanitária na região.
Crise alimentar se agrava
Segundo o estudo, que também contou com a participação do Programa Mundial de Alimentos (PMA), a escalada militar aprofundou drasticamente a insegurança alimentar em uma nação já fragilizada por conflitos armados, deslocamentos em massa e colapso econômico. O documento alerta para uma deterioração ainda mais severa nos próximos meses caso não haja expansão significativa da ajuda humanitária ou melhora nas condições de segurança e estabilidade econômica.
Contexto de violência
A divulgação ocorre em meio à continuidade dos ataques israelenses contra território libanês, apesar do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, iniciado em 16 de abril e posteriormente prorrogado. Na terça-feira, novos bombardeios no sul do país deixaram ao menos oito mortos, segundo autoridades locais. Desde 2 de março, de acordo com um balanço divulgado pelo Ministério da Saúde nesta segunda-feira, ao menos 2.521 pessoas morreram e mais de 7.800 ficaram feridas.
O relatório destaca que a combinação de conflito armado, deslocamento populacional e crise econômica já vinha afetando a segurança alimentar no Líbano, mas a intensificação dos bombardeios desde março acelerou o processo. A FAO e o PMA reforçam a necessidade de acesso humanitário irrestrito e financiamento urgente para evitar uma catástrofe alimentar.



