Pressionada por crises e pela fragmentação política, a União Europeia (UE) busca recuperar seu protagonismo na economia global. Com acordos comerciais e uma política industrial mais assertiva, o bloco tenta fazer frente à China e aos Estados Unidos.
Contexto histórico e desafios atuais
A Europa, que por séculos foi o centro da economia mundial, vê seu dinamismo se deslocar para a Ásia. Em 2026, a UE enfrenta um cenário turbulento: conflito entre EUA e Irã, diplomacia agressiva de Donald Trump, avanço tecnológico chinês e a guerra na Ucrânia. Para recuperar influência, o bloco aposta em uma rede mais ampla de alianças comerciais.
Estratégia comercial centralizada
Sob a coordenação da Comissão Europeia, liderada por Ursula von der Leyen, a política comercial do bloco se tornou centralizada. O acordo UE-Mercosul, assinado em janeiro de 2026 após mais de duas décadas de negociação, é um símbolo dessa estratégia. Ele cria uma zona de livre comércio entre economias que somam mais de 720 milhões de pessoas e cerca de 21 trilhões de dólares em PIB, com eliminação gradual de tarifas sobre 90% das trocas em até quinze anos.
Além disso, Bruxelas avança em acordos com a Índia e negociações com países do Sudeste Asiático, como Indonésia e Tailândia, para diversificar cadeias industriais e reduzir a dependência da China. Com os EUA, o foco é a coordenação em meio à disputa por subsídios.
Política industrial e subsídios
A UE adota uma política industrial mais assertiva. O European Chips Act, com investimentos de mais de 49 bilhões de dólares até 2030, busca dobrar a participação europeia na produção global de chips, atualmente em torno de 10%. Regras de auxílio estatal foram flexibilizadas, permitindo financiamento a setores estratégicos. O plano Buy EU, ainda em negociação, pretende direcionar parte dos 2,3 trilhões de dólares anuais em compras públicas para produtos fabricados localmente, com exigências como até 70% de componentes europeus em veículos elétricos. A meta é elevar a participação da indústria no PIB europeu de 14% para 20%.
Dependência energética e divisões internas
A tentativa europeia esbarra na realidade da dependência energética. A UE importa cerca de 60% da energia que consome. A guerra na Ucrânia elevou os preços, com contas de energia subindo até 50% entre 2021 e 2023. Governos europeus injetaram cerca de 650 bilhões de euros em subsídios. A energia mais cara pressiona a competitividade industrial e o orçamento das famílias.
Divisões internas também ameaçam a coesão. Crescem lideranças que contestam Bruxelas, como Viktor Orbán na Hungria (derrotado em 2026), Giorgia Meloni na Itália e Marine Le Pen na França. O bloco está mais dividido em temas como migração e política externa.
Reconfiguração do papel global
A participação europeia no PIB global caiu de cerca de 30% no início dos anos 1990 para aproximadamente 15% hoje. O centro de gravidade econômica se deslocou para a Ásia. Como afirmou o presidente francês Emmanuel Macron: "A Europa pode morrer, tudo depende das escolhas que fizermos". A nova ordem global se forma, em grande medida, sem a Europa.



