EUA pedem libertação de Nobel da Paz Narges Mohammadi após infarto na prisão
EUA pedem libertação de Nobel da Paz após infarto

Os Estados Unidos intensificaram o apelo para que o Irã liberte a ativista e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, Narges Mohammadi, de 54 anos, que está detida desde dezembro de 2025 por criticar o regime dos aiatolás. Em uma publicação nas redes sociais nesta quinta-feira, 7 de maio de 2026, o subsecretário de Estado americano para os Direitos Humanos, Riley Barnes, exigiu a soltura imediata da laureada, que teria sofrido dois infartos nas últimas semanas.

“Narges Mohammadi foi presa pelo regime iraniano por usar sua voz — por falar em nome do povo iraniano e de suas aspirações por uma vida melhor. Ela está agora em estado crítico e recebendo cuidados totalmente inadequados. Pedimos ao regime iraniano que a liberte agora e lhe dê os cuidados de que precisa”, escreveu Barnes no X (antigo Twitter). “O mundo está vendo”, completou.

Detenção e problemas de saúde

Mohammadi foi presa em dezembro de 2025, quando compareceu ao enterro do advogado Khosrow Alikordi, um notável defensor de presos políticos que foi encontrado morto de forma suspeita em seu escritório. Na ocasião, ela criticou as autoridades em Teerã, o que levou à sua nova detenção. Após receber uma sentença de sete anos e meio por “atentar contra a segurança nacional e fazer propaganda contra o regime”, a ativista foi transferida para a prisão de Zanjan, no norte do Irã, onde perdeu contato com a família.

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A defesa de Mohammadi alega que a ativista sofreu dois ataques cardíacos durante sua estadia em Zanjan. O primeiro episódio ocorreu no dia 24 de março, quando ela foi encontrada inconsciente em sua cela, mas só teve acesso a atendimento médico padrão na enfermaria local. Um segundo infarto teria ocorrido no dia 1º de abril, quando a vencedora do Nobel da Paz em 2023 foi transferida a um hospital próximo, onde permanece internada.

Advogados alertam para risco de morte

“Não estamos lutando apenas pela liberdade de Narges, estamos lutando para que seu coração continue batendo”, disse a advogada da ativista, Chirinne Ardakani, em uma coletiva de imprensa na semana passada. Segundo Ardakani, a laureada está “entre a vida e a morte” e pode morrer “a qualquer momento”.

Aos 54 anos, Mohammadi dedicou três décadas de sua vida para defender a igualdade e os direitos humanos das mulheres no Irã. Tal postura levou a ativista a ser repetidamente presa e julgada por campanhas que contrariam regras do regime, como a pena de morte e o uso obrigatório do hijab para mulheres. Antes de sua detenção em dezembro, ela havia passado cerca de quatro anos na prisão de Tevin, sendo libertada somente por razões médicas.

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