Os Emirados Árabes Unidos anunciaram nesta terça-feira, 28 de abril de 2026, que deixarão a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a aliança Opep+ a partir de 1º de maio. A decisão foi divulgada pela agência de notícias oficial Wam e reflete, segundo o governo, uma visão estratégica de longo prazo para o setor energético do país.
Motivos da saída
De acordo com o comunicado oficial, os Emirados Árabes Unidos pretendem acelerar investimentos na produção nacional de energia e ajustar sua política de exportação. Autoridades emiradenses já vinham criticando as cotas impostas pelo cartel, que consideram injustas por limitarem suas exportações de petróleo. O país produz atualmente 2,9 milhões de barris por dia, enquanto a Arábia Saudita, líder do grupo, produz 9 milhões de barris diários.
O anúncio ocorre em meio a tensões crescentes entre os Emirados Árabes e a Arábia Saudita. Antigos aliados, os dois países do Golfo divergiram em questões regionais, como a aproximação de Dubai com Israel e o apoio a grupos separatistas no Iêmen. A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã também acirrou as diferenças, com os Emirados buscando uma postura mais dura contra o Irã, enquanto a Arábia Saudita preferiu uma abordagem mais cautelosa.
Impactos no mercado de petróleo
Especialistas apontam que a saída dos Emirados Árabes Unidos pode enfraquecer significativamente a Opep. Saul Kavonic, chefe de pesquisa de energia da MST Financial, classificou o movimento como "o começo do fim da Opep". Segundo ele, a Opep perde cerca de 15% de sua capacidade e um de seus membros mais cooperativos, deixando a Arábia Saudita com a responsabilidade de manter a unidade do grupo e gerenciar o mercado.
Jorge Leon, analista da Rystad Energy, alertou que a Opep estruturalmente mais fraca terá menos capacidade de controlar os preços, o que pode levar a um mercado de petróleo mais volátil. "A implicação a longo prazo é uma Opep que não poderá controlar os preços da mesma forma que fazia no passado", afirmou.
Reações e perspectivas
O ministro da Energia dos Emirados Árabes Unidos, Suhail Al Mazrouei, agradeceu à Opep e seus membros por décadas de cooperação, mas reiterou que a decisão está alinhada com os fundamentos de longo prazo do mercado. O país aderiu à Opep em 1967 e, com sua saída, o grupo passará a ter 11 membros.
A saída dos Emirados Árabes Unidos é vista como uma reconfiguração geopolítica fundamental no Oriente Médio e nos mercados de petróleo, com potenciais impactos na estabilidade dos preços e na dinâmica de oferta global.



