A Procuradoria Nacional Financeira (PNF) da França informou nesta sexta-feira, 22, que investigadores anticorrupção realizaram uma operação no Palácio do Eliseu, sede da presidência francesa, no âmbito de uma investigação sobre a organização das homenagens a grandes personalidades no Panteão. De acordo com o jornal Le Monde, as buscas ocorreram na quinta-feira 21.
Investigação sobre corrupção no Panteão
Em 14 de abril, investigadores e magistrados da PNF já haviam tentado, sem sucesso, realizar uma busca no Eliseu, em meio à investigação iniciada em 2025 por “favorecimento, tomada ilegal de interesses, corrupção e tráfico de influências”. Na ocasião, a presidência francesa negou permissão para que os agentes entrassem, invocando a imunidade de que goza o mandatário francês, Emmanuel Macron. Segundo a Constituição, o procurador Pascal Prache explicou na época que os espaços ligados à presidência gozam de “inviolabilidade”.
Agora, as novas operações de busca “foram precedidas de trocas institucionais para permitir seu desenrolar”, indicou nesta sexta-feira a PNF à agência de notícias AFP, confirmando uma informação do Le Monde. A presidência francesa informou à AFP que autorizou as investigações porque o procedimento “não tem como alvo” o presidente Macron e foram dadas garantias para o respeito ao “sigilo de defesa nacional”.
Cerimônias de entrada no Panteão sob suspeita
A Justiça investiga as condições de adjudicação das cerimônias de entrada no Panteão, monumento parisiense que homenageia as grandes figuras da França. No mausoléu, estão enterradas personalidades como os filósofos Voltaire e Jean-Jacques Rousseau, os escritores Victor Hugo, Émile Zola e Alexandre Dumas, e a cientista Marie Curie.
Há 22 anos, as formalidades estão a cargo da Shortcut Events, e o inquérito se debruça sobre alegações de favorecimento, corrupção, tráfico de influência e conflito de interesses, de acordo com comunicado da promotoria. Investigadores apuram ainda possíveis ligações entre a empresa de eventos e o Centro de Monumentos Nacionais, uma instituição francesa que gere o vasto patrimônio histórico do país.
Atualmente, cabe aos presidentes decidir quais personalidades passam a integrar o monumento. Segundo o semanário Le Canard Enchaîné, que revelou o caso, cada cerimônia de “panteonização” custa cerca de 2 milhões de euros (R$ 13,7 milhões, na cotação atual).
A operação no Eliseu representa um marco na investigação, que busca esclarecer possíveis irregularidades na gestão dos recursos públicos destinados a essas homenagens. A PNF continua apurando os fatos, enquanto a presidência francesa afirma colaborar com as autoridades.



