Um ataque a bomba no sudoeste da Colômbia, neste sábado (25), resultou em 14 mortos e pelo menos 38 feridos, segundo autoridades locais. A explosão ocorreu no departamento de Cauca, a pouco mais de um mês das eleições presidenciais no país. Entre as vítimas fatais, cinco eram menores de idade.
Responsabilidade atribuída a dissidentes das Farc
As autoridades colombianas atribuíram o atentado aos dissidentes da guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que não aderiram ao acordo de paz de 2016. Imagens da agência AFP mostram corpos de vítimas ao redor do local da explosão, veículos destruídos e buracos na estrada. Testemunhas relataram terem sido lançadas por vários metros devido à força do impacto.
Francisco Javier Betancourt, agricultor de café e testemunha do ataque, contou à AFP: "Estávamos esperando a liberação para avançar e essa bomba explodiu bem ali. Fiquei assustado... olhe até onde chegou este país."
Reação do presidente Gustavo Petro
O presidente Gustavo Petro, de esquerda, condenou o ataque em sua conta na rede social X, escrevendo: "Os que atentaram e mataram... são terroristas, fascistas e narcotraficantes. Quero os melhores soldados para enfrentá-los." Petro apontou como responsável Iván Mordisco, o criminoso mais procurado do país, a quem compara com o traficante Pablo Escobar.
Desde que assumiu o poder em 2022, Petro tentou negociar a paz com as principais organizações armadas, mas sem sucesso. Nos últimos anos, esses grupos fortaleceram suas atividades.
Onda de ataques recentes
Na sexta-feira, um atentado contra uma base militar em Cali, a terceira maior cidade da Colômbia, deixou dois feridos. Esse evento deu início a uma série de ataques nos departamentos de Valle del Cauca e Cauca. Nos últimos dois dias, foram registrados 26 ataques na região, segundo o comandante das forças militares, Hugo López.
O ministro da Defesa, Pedro Sánchez, sobrevoou a área do atentado neste sábado e garantiu que a presença militar e policial foi reforçada para enfrentar os ataques.
Segurança como tema central das eleições
A ofensiva aumenta o clima de tensão enquanto se aproxima a eleição presidencial, marcada para 31 de maio. A segurança é um dos temas centrais da campanha, especialmente após o assassinato do pré-candidato de direita Miguel Uribe, baleado durante um comício em junho de 2025.
O senador Iván Cepeda, herdeiro político do presidente Petro, é o favorito nas pesquisas, seguido pelos conservadores de direita Abelardo de la Espriella e Paloma Valencia. Os três denunciaram ameaças de morte e contam com fortes esquemas de segurança. De la Espriella e Valencia criticam a política de paz de Petro e prometem linha dura contra os rebeldes.
Na Colômbia, é comum que grupos armados, financiados por atividades ilícitas como narcotráfico, garimpo ilegal e extorsão, tentem exercer pressão violenta sobre o pleito presidencial.



