SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Usando um broche com a inscrição "Free Palestine", o cineasta Pedro Almodóvar criticou duramente Donald Trump durante o Festival de Cannes e defendeu que artistas se posicionem publicamente sobre política e censura. A declaração ocorreu na entrevista coletiva de "Natal Amargo", seu mais novo filme, que está sendo exibido no evento.
Almodóvar critica Trump e defende posicionamento político
"Isso nos afeta muito. Não quero julgar ninguém, mas acho que artistas precisam falar sobre a situação em que vivem na sociedade contemporânea. É um dever moral", afirmou o diretor em coletiva de imprensa, conforme reportado pela revista Variety. Almodóvar foi enfático ao dizer que a Europa nunca deve se sujeitar a Trump.
Estados Unidos não são uma democracia, diz diretor
Em conversa com o Los Angeles Times, Almodóvar declarou que os Estados Unidos não são uma democracia atualmente. "Alguns dizem que pode ser uma democracia imperfeita, mas eu realmente não acho que os Estados Unidos sejam uma democracia no momento. A coisa mais triste e irônica é que foi a democracia que permitiu, através do mecanismo eleitoral correto, a ascensão desse tipo de regime totalitário. É um paradoxo incrivelmente triste", disse.
Silêncio e medo como sintomas
O diretor relembrou que o Oscar deste ano teve poucas manifestações contra a guerra ou contra Trump. Ele citou Javier Bardem, europeu como ele, como um dos poucos a protestar pela Palestina. "Silêncio e medo são sintomas de que as coisas vão mal. São um sinal claro de que a democracia está se desfazendo", afirmou.
Sem medo de repercussões
Questionado se teme que suas falas possam afetar sua carreira, Almodóvar respondeu que não. "De forma alguma. Eu não tenho muitos medos. De forma geral, na Espanha, não temos medo de dar o nome correto às coisas. Temos um governo que chamou o que está acontecendo em Gaza de genocídio, e o povo espanhol não costuma ter medo de ser sincero sobre essas guerras", afirmou.
"Natal Amargo" estreia com aplausos
"Natal Amargo" estreou em Cannes com 6,5 minutos de aplausos de pé. Este é o oitavo filme de Almodóvar na competição do festival, consolidando sua longa parceria com o evento.



