Milhares de pessoas participaram nesta sexta-feira (1º) de manifestações do 1º de Maio na Turquia, apesar de um forte esquema policial em Ancara, a capital, e em Istambul, onde houve pelo menos 370 detidos.
Detidos e ação policial
Segundo a associação de advogados ÇHD, no início da tarde, o número de detidos chegava a 370 em Istambul. A polícia lançou gás lacrimogêneo a partir de veículos antichoque em meio à multidão, constataram jornalistas da AFP. O objetivo era impedir que manifestantes chegassem à emblemática Praça Taksim, fechada a concentrações desde a onda de protestos antigovernamentais de 2013.
Reações e críticas
Um dirigente sindical, Basaran Aksu, foi detido após denunciar o bloqueio. “Não se pode fechar uma praça aos trabalhadores da Turquia. Todos utilizam a Taksim para cerimônias oficiais, para celebrações. Só aos operários, aos trabalhadores, aos pobres é que se fecha a praça”, afirmou.
Em imagens divulgadas pelo canal de oposição Halk TV, vê-se o presidente do Partido dos Trabalhadores da Turquia, Erkan Bas, sob uma chuva de gás de pimenta. “O poder já fala 365 dias por ano, por isso deixem que os trabalhadores falem das dificuldades que vivem pelo menos um dia por ano”, criticou.
Manifestações autorizadas
Sindicatos e associações convocaram manifestações sob o lema “Pão, paz, liberdade”. Em Istambul, uma manifestação autorizada na margem asiática do Bósforo, convocada por confederações sindicais, reuniu pacificamente milhares de pessoas, segundo um jornalista da AFP.
Os protestos ocorreram em um contexto de forte repressão, com a polícia utilizando gás lacrimogêneo e realizando detenções para evitar que os manifestantes alcançassem a Praça Taksim, símbolo de protestos passados. Apesar das restrições, milhares de trabalhadores e ativistas saíram às ruas para reivindicar melhores condições de trabalho e liberdade de expressão.



