Justiça Eleitoral cassa mandato de vereadora em Esmeraldas por compra de votos
A Justiça Eleitoral de Esmeraldas, município da Região Metropolitana de Belo Horizonte, determinou a cassação do mandato da vereadora eleita Ivanete Mãe do Wellitin, do partido Mobiliza. A decisão judicial concluiu que houve compra de votos durante a campanha das eleições municipais de 2024, com ofertas que variavam entre R$ 50 e R$ 100 por voto.
Esquema de compra de votos
De acordo com a sentença da Justiça Eleitoral, a então candidata oferecia valores em dinheiro para eleitores em troca de votos, em um esquema que também contava com a participação ativa de seu filho, Wellington Adriano Silva Júnior, conhecido na cidade como Wellitin. As propostas eram feitas principalmente por meio de mensagens de WhatsApp e contatos pessoais diretos.
Testemunhas confirmaram ter recebido as ofertas e, em alguns casos, chegaram a enviar fotos do comprovante de votação como forma de confirmar que haviam votado na candidata. Para a Justiça, não é necessário comprovar que o dinheiro foi efetivamente pago – apenas a oferta já configura crime eleitoral.
Investigações e operação policial
As investigações começaram após denúncias anônimas e resultaram em uma operação policial no dia da votação, em 6 de outubro de 2024. Durante a ação, policiais constataram um grande fluxo de pessoas entrando e saindo de uma casa no Centro de Esmeraldas, o que levantou suspeitas sobre o local.
No imóvel, foram apreendidos celulares, material de campanha e mensagens que indicavam claramente a negociação de votos. Imagens de câmeras de segurança e diversos depoimentos reforçaram a suspeita de que a casa era utilizada como ponto de apoio para o esquema ilegal.
Movimentação financeira suspeita
Outro elemento decisivo para a condenação foi a movimentação financeira considerada atípica da candidata durante o período eleitoral. Entre julho e outubro de 2024, Ivanete Mãe do Wellitin movimentou aproximadamente R$ 530 mil, incluindo saques em dinheiro próximos de R$ 40 mil.
A Justiça considerou esses valores incompatíveis com a renda declarada pela então candidata, fortalecendo as evidências sobre o esquema de compra de votos. A sentença também destacou a atuação do filho Wellitin, que mesmo com os direitos políticos suspensos, participou ativamente da campanha, fazendo contatos e coordenando ações.
Multa e absolvições
Além da cassação do mandato, a decisão judicial determinou a aplicação de uma multa de aproximadamente R$ 37 mil à parlamentar. Na mesma sentença, a Justiça absolveu o prefeito Marcelo Nonato (Solidariedade) e o vice-prefeito Gustavo do Dedé (Mobiliza), que também eram citados no processo.
Segundo a juíza responsável pelo caso, não ficou comprovado que eles participaram, autorizaram ou tinham conhecimento do esquema de compra de votos. A magistrada ressaltou ainda que o esquema teve alcance limitado, restrito a grupos pequenos e localizados, e não foi capaz de alterar o resultado da eleição para prefeito.
Recursos e processos criminais
A decisão da Justiça Eleitoral ainda cabe recurso à instância superior. Paralelamente, o caso continua sendo analisado na área criminal, em processos separados que apuram a responsabilidade de outros envolvidos apontados nas investigações.
O g1 procurou a vereadora e a Câmara Municipal de Esmeraldas para comentar o caso, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Com a cassação, Ivanete Mãe do Wellitin perde o mandato conquistado nas eleições de 2024, marcando mais um capítulo na luta contra a corrupção eleitoral no país.
