Pablo Marçal fecha acordo na Justiça Eleitoral para arquivar caso de laudo falso contra Boulos
Marçal faz acordo para engavetar caso de laudo falso contra Boulos

Acordo judicial suspende processo contra Pablo Marçal por laudo falso divulgado contra Boulos

O coach e ex-candidato à prefeitura de São Paulo, Pablo Marçal (PRTB), formalizou um acordo na Justiça Eleitoral que pode levar ao arquivamento do processo relacionado ao laudo falso divulgado contra seu adversário político, Guilherme Boulos (PSOL), durante a campanha eleitoral de 2024. O acordo, homologado na última segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, estabelece uma suspensão condicional do processo por um período de dois anos, durante o qual Marçal e seu então advogado, Tássio Renam Souza Botelho, devem cumprir uma série de obrigações.

Restrições e obrigações impostas pelo acordo judicial

As condições acordadas com o Ministério Público incluem medidas restritivas significativas para ambos os envolvidos:

  • Visitas mensais obrigatórias ao fórum da 386ª Zona Eleitoral de São Paulo
  • Proibição de frequentar bares e casas noturnas durante todo o período do acordo
  • Restrição de locomoção que impede a saída da cidade de São Paulo sem autorização judicial prévia
  • Pagamento de multa no valor de 5.000 reais cada, destinada a uma comunidade terapêutica

A juíza Maria Elizabeth de Oliveira Bortoloto, responsável pelo caso, homologou o acordo após análise das condições estabelecidas. É importante destacar que, formalmente, este tipo de acordo não constitui uma admissão de culpa por parte dos acordantes.

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Consequências do descumprimento e situação dos outros envolvidos

Se durante os dois anos de vigência do acordo, Marçal e seu advogado cumprirem todas as determinações, o processo será definitivamente arquivado, sem condenação judicial. No entanto, qualquer descumprimento das condições ou nova acusação criminal resultará na perda imediata do benefício e na retomada do processo normal.

O caso apresenta ainda um terceiro réu, o biomédico Luiz Teixeira da Silva Junior, proprietário da clínica mencionada no laudo questionado. Diferentemente de Marçal e seu advogado, Teixeira negou-se a aceitar o acordo, o que significa que o processo continuará seu curso normal em relação a ele, separadamente dos outros dois acusados.

Repercussão política e futuras implicações

Guilherme Boulos reagiu publicamente ao acordo através de suas redes sociais, afirmando: "A Justiça começou a ser feita por toda a sujeira que Marçal fez nas eleições de SP. É só o começo. Aqui se faz, aqui se paga". A declaração reflete a tensão política remanescente da disputa eleitoral que opôs os dois candidatos.

Para Pablo Marçal, este acordo representa mais um capítulo em sua trajetória judicial conturbada pós-eleições. O coach já enfrentou declarações de inelegibilidade em múltiplas ocasiões e, com as restrições de locomoção impostas pelo acordo atual, sua viabilidade em futuras disputas políticas torna-se ainda mais questionável. A defesa de Marçal justificou a aceitação do acordo citando "economia processual, racionalidade jurídica e para evitar o prolongamento do desgaste pessoal, profissional e institucional".

Este caso específico integra uma série de processos judiciais que Marçal acumulou após a conturbada campanha eleitoral de 2024, demonstrando como questões jurídicas podem ter impacto duradouro na trajetória política de candidatos e figuras públicas.

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