Justiça do DF suspende lei que usava terrenos públicos como garantia para empréstimos do BRB
Justiça suspende lei que usava terrenos públicos para empréstimos do BRB

Decisão judicial suspende lei que autorizava uso de terrenos públicos como garantia para empréstimos do BRB

A Justiça do Distrito Federal determinou a suspensão imediata da lei que permitia o uso de terrenos públicos como garantia para empréstimos do Banco de Brasília (BRB). A decisão do juiz Daniel Eduardo Branco Carnacchioni acolheu um pedido de ação popular que argumentava que a medida poderia causar sérios prejuízos ao patrimônio público do DF.

Lei aprovada antes da divulgação de prejuízos bilionários

A lei, aprovada pela Câmara Legislativa do Distrito Federal e sancionada pelo governador Ibaneis Rocha, do MDB, autorizava o uso de nove bens públicos como garantia para que o BRB obtivesse empréstimos de até R$ 6,6 bilhões junto a grandes instituições financeiras. No entanto, o juiz destacou que a legislação foi aprovada antes de o banco informar o tamanho real dos prejuízos sofridos em operações com o Banco Master.

O BRB registrou um prejuízo de pelo menos R$ 5 bilhões ao adquirir carteiras de crédito do Banco Master, operações que apresentam indícios de fraude e entraram no radar do Banco Central. O BC identificou um aumento alarmante no volume de carteiras do Master vendidas ao BRB: de quase R$ 1 bilhão em dezembro de 2024 para mais de R$ 2,5 bilhões em janeiro de 2025.

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Juiz questiona falta de transparência e risco ao patrimônio

Em sua decisão, o magistrado Carnacchioni enfatizou que os negócios com o Master comprometeram significativamente a credibilidade e a liquidez do BRB – ou seja, a capacidade do banco de honrar seus compromissos financeiros. Ele argumentou que a lei foi aprovada sem que investidores, correntistas e a sociedade tivessem ciência do grau real de comprometimento da instituição.

“O parlamento distrital ofereceu uma solução sem ter conhecimento da necessidade econômica real do BRB”, afirmou o juiz. E acrescentou: “Não há como efetivar tais transferências antes que haja prova efetiva e concreta do grau de comprometimento da liquidez do BRB em razão das operações financeiras envolvendo o Banco Master.”

BRB precisa recompor capital e governo recorre da decisão

Por determinação do Banco Central, o BRB deve recompor seu capital mínimo para continuar operando sem riscos. O banco tem até o final de março para publicar seu balanço e apresentar um plano de recapitalização, detalhando como pretende recuperar o capital após os negócios com o Banco Master.

Enquanto isso, o governo do Distrito Federal já recorreu da decisão judicial. Na próxima quarta-feira (18), o BRB realizará uma reunião com acionistas para decidir medidas visando aumentar o capital social do banco. A proposta inclui a emissão de ações ordinárias e a captação de recursos no mercado financeiro para reforçar o patrimônio da instituição.

O objetivo dessas ações é garantir que o BRB permaneça sólido e não gere desconfianças no mercado financeiro, restaurando a estabilidade necessária para suas operações futuras.

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