Governo federal responde ao STF sobre questionamentos do Partido Novo quanto ao sigilo em documentos públicos
Governo responde ao STF sobre sigilo em documentos questionado pelo Novo

Governo federal apresenta resposta ao STF sobre questionamentos do Partido Novo acerca do sigilo em documentos públicos

A Controladoria-Geral da União (CGU) elaborou e apresentou ao Supremo Tribunal Federal um relatório detalhado em resposta à ação movida pelo Partido Novo, que questiona a imposição reiterada de sigilo em documentos públicos. O documento foi entregue como parte do processo judicial em andamento na mais alta corte do país.

Percentual de negativas e justificativas apresentadas pela CGU

O relatório da CGU traz um histórico abrangente dos pedidos respondidos através da Lei de Acesso à Informação (LAI) no âmbito do Executivo federal. Conforme os dados apresentados, apenas 8% dos pedidos foram negados, um percentual que o governo considera reduzido e não caracterizador de generalização.

"Primeiramente, não há o que se falar em generalização com um percentual tão reduzido de negativas. Da mesma forma, as negativas não são injustificadas, já que as razões devem ser obrigatoriamente indicadas", afirma textualmente o documento da Controladoria-Geral da União.

Entre as principais razões apontadas para o indeferimento dos pedidos de acesso à informação estão:

  • Proteção dos dados por legislação específica, como sigilo bancário e fiscal
  • Existência de informações pessoais que requerem salvaguarda
  • Respeito a dispositivos legais que estabelecem restrições de acesso

Rebatimento às alegações do Partido Novo

A CGU também se posicionou contrariamente a outras afirmações apresentadas pelo Partido Novo na ação judicial. O governo federal rejeitou a alegação de que existiria uma ineficiência "estrutural" nos mecanismos de acesso à informação, assim como contestou a acusação de decretação de sigilo sobre fatos de "elevado interesse público" sem justificativa adequada.

Na ação enviada ao Supremo Tribunal Federal, o Partido Novo sustenta que existe um estado de coisas inconstitucional na transparência pública, decorrente da "prática reiterada de decretação de sigilos genéricos, automáticos ou desprovidos de motivação concreta e individualizada por órgãos dos três Poderes em nível federal, estadual e municipal".

Andamento processual e atuação do relator

O ministro Flávio Dino é o relator do caso no Supremo Tribunal Federal e já requisitou informações adicionais da Câmara dos Deputados e do Senado Federal sobre suas práticas de transparência e acesso à informação. O processo continua em tramitação, com expectativa de novos desdobramentos nas próximas semanas.

O embate judicial coloca em discussão um dos pilares da democracia brasileira: o direito à informação pública e os limites legais para sua restrição. Enquanto o Partido Novo defende maior transparência e criticidade nas justificativas para sigilo, o governo federal argumenta que as negativas são exceções devidamente fundamentadas dentro do marco legal vigente.