Fux pede vista e adia julgamento que pode definir futuro político de Washington Reis no Rio
Fux adia julgamento que pode definir futuro de Washington Reis no Rio

Fator Fux no STF embaralha cenário eleitoral do Rio de Janeiro

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou vista e adiou significativamente o julgamento que definirá o futuro político do ex-deputado e ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis, do MDB. A decisão ocorreu nesta quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026, e concede ao magistrado um prazo de até 90 dias para devolver o processo à corte, mantendo em suspenso as pretensões eleitorais do emedebista.

Condenação ambiental ameaça candidatura ao governo

Washington Reis foi condenado em 2016 a sete anos, dois meses e quinze dias de prisão pelos crimes de dano ambiental agravado e loteamento irregular qualificado, relacionados à construção do condomínio Vila Verde em área protegida da reserva biológica do Tinguá, em Duque de Caxias, no ano de 2003. A sentença, no entanto, ainda não começou a ser cumprida devido a uma série de recursos judiciais.

Como cacique do MDB na Baixada Fluminense, Reis lançou sua pré-candidatura ao governo do estado do Rio de Janeiro, mas a manutenção da condenação o tornaria inelegível, inviabilizando completamente seus planos políticos. Por esse motivo, todo o destino de sua carreira está nas mãos do Supremo Tribunal Federal.

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Votação parcial mostra tendência pela manutenção da pena

Até o momento da interrupção, os ministros Flávio Dino (relator), Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes já haviam votado pela manutenção da condenação, rejeitando também a possibilidade de um acordo de não persecução penal solicitado pela defesa. Esse acordo permitiria ao ex-prefeito confessar os crimes e cumprir cláusulas alternativas, como multa e prestação de serviços comunitários.

Em contrapartida, os ministros André Mendonça e Kassio Nunes Marques manifestaram votos favoráveis a Washington Reis. O ministro Gilmar Mendes foi enfático em sua crítica, destacando que o embargante conhecia claramente a exigência de licenciamento ambiental e ignorou deliberadamente os embargos e autos de infração emitidos pela administração pública.

Argumentos da defesa e contexto do processo

A defesa de Washington Reis alega em seu recurso que alterações legislativas e administrativas ocorridas em 2010, por meio do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), flexibilizaram a proteção da área onde o condomínio foi construído. No entanto, a maioria dos ministros entende que ele não poderia ter desrespeitado as regras vigentes na época dos fatos.

O processo foi remetido ao STF quando Reis assumiu o mandato de deputado federal. Vale ressaltar que seu irmão, Gutemberg Reis, foi absolvido na primeira instância pela 4.ª Vara Federal de São João de Meriti.

Com o pedido de vista de Fux, não há prazo definido para a conclusão do julgamento, mas o relógio corre contra o ex-prefeito. Enquanto a condenação permanecer vigente, sua inelegibilidade se mantém, aumentando a pressão sobre o desfecho desse emblemático caso que mistura justiça, política e questões ambientais no cenário fluminense.

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