Desembargador inicia processo para eleição-tampão no Rio de Janeiro e busca confirmação do TSE
O desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e atual governador em exercício, anunciou medidas formais para convocar uma eleição-tampão no estado. Em coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira, 25 de março de 2026, Couto revelou que enviará um ofício à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) comunicando a necessidade de preencher a dupla vacância no Palácio Guanabara, causada pela saída do governador Cláudio Castro.
Notificação formal e pedido de confirmação ao Tribunal Superior Eleitoral
O ofício, que será entregue ainda nas próximas horas, constitui o ato formal que desencadeia o processo de organização das eleições. Paralelamente, o desembargador solicitou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que confirme se a escolha do novo governador será, de fato, realizada de maneira indireta, ou seja, definida pelos deputados estaduais e não pelo voto popular.
"Não tenho dúvida que a eleição será indireta. Nós estamos tomando uma cautela para que não haja uma alegação de nulidade. Não queremos dar margem a argumentações", afirmou Couto durante a coletiva. Ele destacou que a expectativa é de que a Alerj só inicie os preparativos para a eleição após receber uma resposta do TSE, a qual, segundo ele, não deve demorar.
Contexto político complexo e esforços para blindar o processo
Os movimentos do desembargador têm sido meticulosamente calculados para evitar questionamentos sobre a eleição-tampão, em um cenário já bastante conturbado no Rio de Janeiro. Couto reconheceu a dificuldade de proteger o processo diante dos cálculos políticos que envolvem a eleição.
"Essas eleições estão muito disputadas. Nós estamos vendo um ânimo de vários candidatos muito acirrado. Como magistrado, eu preciso garantir que a eleição se faça sem vícios. Nós temos uma polarização em âmbito nacional que está se refletindo no Rio de Janeiro", completou o magistrado.
Peregrinação em Brasília para assegurar respaldo jurídico
Desde que assumiu o cargo interinamente, o desembargador realizou uma série de reuniões em Brasília com o objetivo de resolver a situação com o máximo de respaldo jurídico possível. Entre os encontros, Couto esteve com a ministra Cármen Lúcia, presidente do TSE, e com o ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal, para discutir o cenário atípico.
Além disso, ele também conversou com o deputado Guilherme Delaroli (PL), presidente da Alerj, visando alinhar os procedimentos necessários para a convocação da eleição indireta. Essas ações buscam garantir que o processo eleitoral ocorra de forma transparente e dentro dos parâmetros legais, minimizando riscos de impugnações ou contestações futuras.



