Acordo entre EUA e Irã estabelece trégua de duas semanas e reabertura do Estreito de Ormuz
O Irã confirmou nesta terça-feira (7) um acordo com os Estados Unidos que permitirá a reabertura do estratégico Estreito de Ormuz por um período inicial de duas semanas. O anúncio foi feito após o presidente norte-americano, Donald Trump, declarar que adiou por duas semanas o ultimato contra o país persa, desde que a rota marítima fosse reaberta.
Ultimato de Trump e resposta iraniana
Trump havia estabelecido um prazo até as 21h desta terça-feira (horário de Brasília) para que o Irã chegasse a um acordo e reabrisse o Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do petróleo mundial. O presidente dos EUA havia ameaçado destruir pontes e usinas de energia iranianas caso o país não atendesse às exigências.
Em um post na rede social Truth Social, Trump afirmou que resolveu adiar os ataques após um pedido de autoridades do Paquistão, que estão mediando conversas indiretas entre as duas nações. "Concordo em suspender o bombardeio e o ataque ao Irã por um período de duas semanas. Este será um CESSAR-FOGO de dois lados!", declarou o presidente norte-americano.
Segundo Trump, todos os objetivos militares dos EUA no Irã já foram cumpridos e as negociações para um acordo definitivo de paz estão avançadas. Ele mencionou ter recebido uma proposta de plano de paz do Irã com 10 pontos, considerada uma base viável para negociação.
Confirmação iraniana e condições
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmou que um acordo entre os dois países havia sido fechado. Segundo ele, Teerã vai suspender ações defensivas desde que os ataques contra o país sejam interrompidos.
"Por um período de duas semanas, será possível a passagem segura pelo Estreito de Ormuz, mediante coordenação com as Forças Armadas do Irã e com a devida consideração às limitações técnicas", afirmou Araghchi.
Tensões internacionais e ataques recentes
As ameaças de Trump elevaram significativamente a tensão na comunidade internacional, levantando alertas sobre possíveis crimes de guerra em caso de ataques dos Estados Unidos a alvos civis iranianos. O impasse também aumentou o temor de uma escalada no conflito, com impactos globais potencialmente devastadores.
Horas antes do prazo dado por Trump expirar, bombardeios foram registrados no Oriente Médio. Os Estados Unidos atacaram a estratégica ilha de Kharg, que concentra cerca de 90% do petróleo produzido no Irã, mas pouparam áreas petrolíferas. Israel afirmou ter realizado "amplos ataques" no território iraniano, atingindo pontes, ferrovias, aeroportos e edifícios.
O Irã reagiu convocando a população a formar escudos humanos ao redor de usinas e afirmando que a fase de "boa vizinhança" com países do Golfo chegou ao fim. Ataques foram lançados contra países como Emirados Árabes Unidos, Catar e Bahrein.
Riscos e consequências potenciais
Um eventual ataque dos EUA a usinas iranianas poderia interromper o fornecimento de energia para milhões de pessoas e provocar um colapso elétrico e econômico no país. Também havia temores de que ataques a instalações nucleares provocassem um acidente radiológico grave, com impactos que poderiam ultrapassar as fronteiras do Irã.
O governo iraniano indicou que poderia retaliar bombardeando usinas de energia de países vizinhos, incluindo refinarias de petróleo, o que poderia pressionar ainda mais os preços globais do combustível. Teerã também afirmou que poderia atingir usinas de dessalinização em países do Golfo, colocando em risco o abastecimento de água para milhões de pessoas na região.
Declaração completa de Trump
Em sua declaração oficial, Trump afirmou: "Com base em conversas com o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e com o marechal de campo Asim Munir, do Paquistão, nas quais solicitaram que eu suspendesse a força destrutiva que seria empregada esta noite contra o Irã, e condicionado ao fato de a República Islâmica do Irã concordar com a ABERTURA COMPLETA, IMEDIATA e SEGURA do Estreito de Ormuz, concordo em suspender o bombardeio e o ataque ao Irã por um período de duas semanas."
O presidente norte-americano acrescentou: "A razão para isso é que já cumprimos e superamos todos os objetivos militares, e estamos muito avançados em um acordo definitivo voltado para a PAZ de longo prazo com o Irã, e para a PAZ no Oriente Médio. Recebemos uma proposta de 10 pontos do Irã e acreditamos que ela representa uma base viável para negociação."
Trump finalizou afirmando que "quase todos os pontos de divergência do passado já foram acordados entre os Estados Unidos e o Irã, mas um período de duas semanas permitirá que o acordo seja finalizado e concluído".



